
Líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei
Foto: Khamenei.ir/ AFP
O líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, considerou este domingo que os protestos antigovernamentais em janeiro, que causaram vários milhares de mortos, assemelham-se a um "golpe de Estado".
Os manifestantes "atacaram a polícia, edifícios governamentais, quartéis da Guarda Revolucionária, bancos, mesquitas e queimaram o Alcorão (...) foi um verdadeiro golpe de Estado", criticou Khamenei, garantindo que a tentativa tinha "falhado".
"A recente sedição não foi a primeira em Teerão, e não será a última. Tais incidentes poderão repetir-se", acrescentou.
O líder discursava em Teerão aos fiéis por ocasião do 47.º aniversário do regresso ao Irão do Imam Khomeini, o pai fundador da República Islâmica, em 1979, a quem sucedeu dez anos depois. Os americanos "querem recuperar o controlo deste país", como antes sob a monarquia, disse Ali Khamenei. "Eles controlavam os recursos. Controlavam o petróleo. Controlavam a política (...) tudo lhes pertencia", insistiu o líder supremo.
O Irão já tinha sido abalado em 2009 por manifestações contra a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad, depois em 2019 contra o preço dos combustíveis e em 2022 após a morte em detenção de Mahsa Amini. As últimas manifestações, que começaram no final de dezembro antes de ganhar intensidade em 8 de janeiro e serem reprimidas, causaram mais de três mil mortes, segundo o balanço oficial. As autoridades iranianas afirmam que a grande maioria das vítimas são membros das forças de segurança ou transeuntes mortos por "terroristas".
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirma ter confirmado 6713 mortes, incluindo 137 crianças, e está a investigar mais de 17 mil mortes [potencialmente] adicionais.
Khamenei afirmou também este domingo que qualquer ataque norte-americano contra o seu país desencadeará "uma guerra regional", num momento em que o presidente americano, Donald Trump, ameaça recorrer à força contra Teerão.
