Irão diz que projeto de acordo nuclear com EUA estará pronto dentro de dois ou três dias

"Não propusemos nenhuma suspensão e os Estados Unidos não exigiram o enriquecimento zero", afirmou Abbas Araghchi
Foto: Valentin Flaurad/AFP
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que um projeto de acordo nuclear com os Estados Unidos estará "pronto dentro de dois ou três dias", numa entrevista divulgada esta sexta-feira pela televisão norte-americana MSNBC.
"O próximo passo para mim é apresentar uma proposta de acordo potencial aos meus homólogos americanos", o emissário Steve Witkoff e o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, disse Abbas Araghchi à MSNBC.
"Penso que dentro de dois ou três dias estará pronto", acrescentou Araghchi, que conduziu na terça-feira as negociações do Irão em Genebra, com a mediação de Omã.
Na mesma entrevista, Abbas Araghchi disse que Washington não pediu a Teerão que renunciasse do enriquecimento de urânio durante as negociações realizadas na terça-feira na cidade suíça.
"Não propusemos nenhuma suspensão e os Estados Unidos não exigiram o enriquecimento zero", afirmou.
Na quinta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que seriam dados 10 dias para decidir se é possível alcançar um acordo com o Irão sobre o programa nuclear. Se não foi possível chegar a acordo, "coisas más" poderão acontecer, avisou.
"Talvez tenhamos de ir mais longe, ou talvez não, talvez cheguemos a um acordo. Provavelmente saberão nos próximos 10 dias", afirmou Trump em Washington, antes da primeira reunião do Conselho de Paz.
Na quarta-feira, Araghchi indicou, numa conversa telefónica com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, que o Governo iraniano estava a "elaborar um roteiro" para as próximas negociações com Washington.
Trump afirmou repetidamente que o Irão devia abandonar por completo o enriquecimento de urânio, exigência que Teerão considera inegociável.
Nos termos de um acordo agora caducado, celebrado com as grandes potências em 2015, o Irão estava autorizado a enriquecer urânio até 3,67%.
Em 2018 e na sequência da retirada unilateral deste acordo, decidia por Donald Trump, Teerão aumentou o enriquecimento para 60%, de acordo com a AIEA.
Enriquecido entre 3 e 5%, o urânio é utilizado para alimentar centrais nucleares para a produção de eletricidade. Até 20%, é usado para produzir isótopos médicos, usados principalmente no diagnóstico de certos tipos de cancro.
A partir desse limite, o urânio enriquecido pode ter aplicações militares. Para fabricar uma bomba, o enriquecimento deve ser levado a 90%.
Os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam a República Islâmica do Irão de pretender dotar-se de armas atómicas, o que Teerão nega, afirmando que o programa nuclear se destina a fins civis.
