
Manifestantes juntaram-se em frente à Polícia Federal
Foto: AFP
Jair Bolsonaro foi preso na madrugada deste sábado, depois de ter tentado romper a pulseira eletrónica, antes de uma manifestação convocada pelo filho Flávio, à porta de casa, em Brasília.
O ex-presidente brasileiro estava em prisão domiciliária sob vigilância eletrónica e o Supremo Tribunal Federal decidiu converter, de imediato, a medida em prisão preventiva. No dia anterior, a defesa de Bolsonaro tinha pedido que o condenado a 27 anos de prisão, por tentativa de golpe de estado, cumprisse a pena em casa, mas esta prisão ainda não é o cumprimento da sentença, por ainda se encontrar no período de recurso.
"Constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrónica para garantir êxito na sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho", lê-se na decisão do juiz Alexandre de Moraes, tornada pública ontem, que refere uma tentativa de reeditar "acampamentos golpistas" e causar "caos social no Brasil", numa referência à invasão das sedes dos três poderes, a 8 de janeiro de 2023. Segundo os registos judiciais, passavam oito minutos da meia-noite em Brasília (mais três horas em Portugal continental), quando o sistema de monitorização disparou, alertando para a tentativa de violação da pulseira.

Manifestantes pró-Bolsonaro junto à sede da polícia
A Justiça considerou que tal alerta demonstra a intenção de "garantir o êxito da fuga", facilitada pela "confusão causada pela manifestação convocada por seu filho". A decisão destaca ainda a proximidade, "cerca de 13 quilómetros", da embaixada dos EUA, o que deixa perceber que Moraes acredita que Bolsonaro poderia pedir asilo político a Donald Trump. Nos EUA, já se encontra Eduardo Bolsonaro desde fevereiro, acusado de tentativa de perturbação do processo judicial que envolveu o pai.
Segundo ordem judicial, a prisão foi feita "com todo o respeito à dignidade do ex-presidente da República", sem recurso a algemas e sem exposição mediática. Jair Bolsonaro será ouvido em tribunal hoje, às 15 horas (hora de Portugal continental), para uma audiência de custódia. Amanhã, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal deverá reunir-se, para ratificar a decisão de Alexandre de Moraes.

Manifestantes anti-Bolsonaro festejam com champanhe
Defesa perplexa
"A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada na manhã de hoje, causa profunda perplexidade, principalmente porque, conforme demonstra a cronologia dos fatos, está calcada numa vigília de orações", refere uma nota dos advogados de defesa do ex-presidente brasileiro, citada pelo portal G1. Nela, salientam que o réu estava em casa e ainda tinha a pulseira eletrónica, pelo que vão recorrer da decisão.

