
A detenção do rapaz por agentes federais num subúrbio de Minneapolis, no mês passado, abalou a comunidade
Foto: Roberto Schmidt / AFP
Apenas alguns dias depois de ter sido libertado de um centro de detenção de imigrantes no Texas, Liam Conejo Ramos, o menino de cinco anos com um gorro de coelho cuja imagem se tornou viral, enfrenta uma crescente pressão federal para ser deportado, juntamente com o pai.
O Governo federal norte-americano quer que os pedidos de asilo da família sejam rejeitados sem uma audiência completa. Na sexta-feira, a advogada de Liam e do pai, Adrian Conejo Arias, compareceu perante um juiz de imigração para contestar esta intenção.
A audiência, realizada virtualmente e fechada ao público, não resolveu a questão central do pedido de asilo, segundo a advogada da família, Danielle Molliver, mas o juiz concedeu-lhe mais tempo para argumentar a favor de Liam e do pai.
"Ele não será deportado hoje", disse Molliver, citada pelo jornal norte-americano "The New York Times", acrescentando que está profundamente comprometida em lutar pela família até ao fim. A advogada classificou a tentativa de acelerar o processo como "extraordinária" e possivelmente "retaliativa". "Estão a agir muito rápido. A deportação pode acontecer numa questão de semanas", previu.
Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, argumentou que a família estaria a ter o direito a um processo legal completo. "Este é o procedimento padrão e não há nada de retaliatório em fazer cumprir as leis de imigração do país", defendeu.
Liam e o pai, equatoriano, entraram legalmente no país através de um programa humanitário em dezembro de 2024. O Departamento de Segurança Interna acusa o pai de ter entrado ilegalmente.
A detenção do rapaz por agentes federais num subúrbio de Minneapolis, no mês passado, abalou a comunidade, depois de imagens de Liam com uma mochila do Homem-Aranha e um gorro de coelho durante uma operação anti-imigração terem circulado pelo Mundo.
Liam e o pai foram transferidos para um centro de detenção de imigrantes em Dilley, no Texas, de onde foram libertados há menos de uma semana, após a intervenção de deputados democratas do Texas, advogados e ativistas. Um juiz federal ordenou a libertação numa sentença contundente, denunciando a detenção como "imposição de crueldade".
A tentativa de acelerar a deportação tornou-se comum contra requerentes de asilo e imigrantes. Desde outubro que os advogados do Governo federal têm vindo a pressionar os juízes para rejeitarem casos de asilo, sem audiências, alegando que os requerentes podem procurar asilo noutros países com os quais os Estados Unidos têm negociado novos acordos, incluindo as Honduras e o Uganda.

