Ministros da UE discutem 20.º pacote de sanções à Rússia e colonatos na Cisjordânia

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas
Foto: Olivier Hoslet/EPA
Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia reúnem-se, esta segunda-feira, para decidir se impõem um novo pacote de sanções à Rússia e se avançam com medidas contra Israel devido à expansão de colonatos na Cisjordânia.
O início deste Conselho de Negócios Estrangeiros está marcado para as 9.45 horas (8.45 horas em Portugal continental) e terá apenas dois temas em cima da mesa: a guerra na Ucrânia e a situação no Médio Oriente, em particular no Irão, Síria, Israel e Palestina.
No que se refere à Ucrânia, os ministros reúnem-se na véspera de se assinalar o quarto aniversário da guerra, e prevê-se que decidam impor o 20.º pacote de sanções à Rússia.
A proposta inicial de sanções foi apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 6 de fevereiro e incluía restrições a nível financeiro e comercial, mas também a proibição total de serviços marítimos para o petróleo bruto - um ponto contencioso para países como a Grécia ou Malta, com fortes indústrias marítimas.
Além deste pacote de sanções, os ministros irão também abordar o papel que a UE deve desempenhar num eventual processo de paz na Ucrânia, designadamente em termos de garantias de segurança, prevendo-se igualmente que sejam anunciados novos a nível energético, com vista a preparar Kiev para o inverno do próximo ano.
À semelhança do que tem acontecido sempre que os chefes das diplomacias da UE discutem a guerra na Ucrânia, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sibiha, irá juntar-se por videoconferência nesta parte da reunião.
Sanções a Israel?
Na vertente do Médio Oriente, os ministros irão discutir a "rápida deterioração da situação na Cisjordânia", numa altura em que o Governo de Israel tenciona expandir a sua presença na região, indicaram fontes europeias.
Segundo as mesmas fontes, a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, deverá "medir a temperatura" e ver se os Estados-membros estão dispostos a impor sanções a Israel.
Esta discussão surge depois de, na semana passada, 85 Estados-membros da ONU, entre os quais Portugal, terem condenado as medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir a presença na Cisjordânia.
Apesar de não estar na agenda, os ministros deverão igualmente discutir o Conselho de Paz criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, uma semana depois da reunião inaugural deste órgão, que contou com a participação da comissária europeia Dubravka Suica, o que foi criticado por alguns países.
Suica irá partilhar com os ministros a sua impressão sobre esta reunião inaugural e deverá haver depois uma troca de impressões sobre o assunto.
A discussão sobre Israel e a Palestina irá ser um dos principais temas desta reunião, uma vez que está igualmente previsto um almoço com o novo alto representante para Gaza, Nikolay Mladenov, no qual os ministros vão procurar perceber de que forma é que a UE contribuir para a segunda fase do plano de paz na Faixa de Gaza.
Fora estes temas, os chefes das diplomacias da UE vão também abordar a "situação doméstica preocupante" no Irão, estando previsto que Kaja Kallas proponha que se fale sobre potenciais novas sanções ao país.
Os ministros vão também discutir as negociações entre Washington e Teerão relativamente a um acordo nuclear e abordarão igualmente a situação securitária na Síria.
O fim da reunião está previsto para as 15:30 (14:30 de Lisboa) e Portugal estará representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Antes do início desta reunião, os ministros vão encontrar-se para um pequeno almoço informal, onde irão discutir ameaças híbridas e interferências externas na UE, com foco particular na China e na Rússia.
