
Peter Mandelson foi detido na segunda-feira
Foto: Justin Tallis/AFP
O presidente da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, confirmou ter passado "de boa-fé" à Polícia de Lonfres informações de que Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos EUA, planeava fugir do país.
"Os membros estarão cientes dos comentários nos média a respeito da prisão de Lord Mandelson. Para evitar qualquer especulação imprecisa, gostaria de confirmar que, ao receber a informação, considerei relevante repassá-la à Polícia Metropolitana de boa-fé, como é meu dever e responsabilidade", disse Hoyle, numa declaração à Câmara.
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Peter Mandelson foi detido, na segunda-feira, numa investigação por má conduta em cargo público, relacionada com o caso que envolve o financeiro norte-americano Jeffrey Epstein, criminoso sexual registado. A investigação está ligada a documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein, entre os quais estão emails que indicariam que Mandelson teria reencaminhado informações confidenciais e potencialmente capazes de influenciar os mercados financeiros ao amigo em 2009, quando era ministro da Economia. Os ficheiros também incluem registos de transferências de cerca de 75 mil dólares (64 mil euros), entre 2003 e 2004, de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, Reinaldo Ávila da Silva. O ex-embaixador, que nega irregularidades, foi libertado sob fiança na madrugada de terça-feira.
Segundo um comunicado divulgado na noite de terça-feira, os advogados de Mandelson disseram que a Polícia londrina concordou em interrogar o ex-embaixador em Washington no próximo mês em vez de o deter. Porém, as autoridades foram informadas de que Mandelson estava a preparar-se para deixar o Reino Unido rumo às Ilhas Virgens Britânicas e detiveram-no em Londres.
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Segundo o jornal britânico "The Guardian", Mandelson enviou uma mensagem a amigos pelas 4 horas de terça-feira, afirmando que as acusações eram falsas. "Apesar do acordo prévio entre a polícia e a equipa jurídica sobre um depoimento voluntário no início de março, a polícia prendeu-me porque alegou que eu estava prestes a fugir para as Ilhas Virgens Britânicas e fixar residência permanente no exterior, deixando para trás o Reinaldo [Ávila da Silva, marido de Mandelson], a minha família, a minha casa e Jock [cão]. Não preciso de dizer que é pura ficção. A polícia só foi informada hoje de que precisava improvisar uma prisão. A questão é: quem ou o que está por trás disso?", escreveu.
Os primeiros relatos sugeriam que o presidente da Câmara dos Lordes, Michael Forsyth, estava envolvido no repasse de uma informação à polícia, mas o seu porta-voz afirmou que era "totalmente falso e sem fundamento". Afirmação agora confirmada pelo presidente da Câmara dos Comuns, que admitiu ter sido ele a informar as autoridades do risco de fuga de Mandelson.

