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Antigo ministro trabalhista e ex-embaixador Peter Mandelson é de novo implicado no caso norte-americano.
Peter Mandelson, demitido do cargo de embaixador britânico em Washington no ano passado devido às suas ligações a Jeffrey Epstein, demitiu-se, no domingo, do Partido Trabalhista, após ser novamente implicado na mais recente tranche de ficheiros do caso divulgada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O antigo ministro de várias pastas, com 72 anos, renunciou à filiação de décadas nos Trabalhistas, mas mantém que as alegações contra si são falsas. "Não desejo causar mais constrangimentos ao Partido Trabalhista", escreveu na carta de demissão, onde também pede desculpa "às mulheres e raparigas cujas vozes já deveriam ter sido ouvidas há muito tempo".
O conjunto de documentos, divulgado na sexta-feira, incluía diversos emails entre figuras notáveis do Reino Unido e Epstein, denunciando registos privados e transações financeiras ilícitas. Fotografias sem data revelam Mandelson de t-shirt e cuecas ao lado de uma mulher cujo rosto foi ocultado pelas autoridades norte-americanas. Mandelson disse à BBC que não conseguiu identificar a mulher nem o local.
Starmer pede investigação
Uma das trocas de mensagens reveladas sugere que Mandelson terá enviado a Epstein, em 2009, um relatório económico confidencial, destinado ao então primeiro-ministro Gordon Brown, quando era seu ministro do Comércio. A revelação levou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a ordenar uma investigação urgente à relação entre Mandelson e Epstein. Registos bancários sugerem, ainda, que Epstein transferiu 75 mil dólares para contas ligadas a Mandelson em 2003 e 2004. À BBC, o político disse que não tinha registo nem se lembrava de qualquer pagamento.
O porta-voz de Starmer disse que Mandelson deverá ser destituído do seu cargo na Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico. O ministro Darren Jones também defendeu ontem que o ex-embaixador "deve prestar contas dos seus atos e conduta". Já o deputado Stephen Flynn, do Partido Nacional Escocês, apelou ao comissário da Polícia Metropolitana de Londres para que Mandelson seja investigado por má conduta em cargos públicos.
Envolvidos
Mette-Marit
O nome da princesa da Noruega é mencionado cerca de mil vezes nos ficheiros. Entre 2011 e 2014, trocou dezenas de emails com Epstein, que sugerem proximidade. A princesa lamentou a "amizade vergonhosa" que teve com o financeiro. O primeiro-ministro norueguês instou-a a explicar a relação.
André
O destituído príncipe de Inglaterra aparece em fotografias ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão. O primeiro-ministro britânico reiterou que André deveria testemunhar no Congresso dos EUA sobre a sua relação com Epstein.
*com AFP

