
KIRILL KUDRYAVTSEV/AFP
Pelo menos 170 opositores foram interpelados na Rússia, este domingo, no decurso da votação para as eleições legislativas, e enquanto surgiam denúncias de ciberataques que paralisaram diversos sítios independentes na Internet
A oposição radical concentrou-se em Moscovo e São Petersburgo em torno de palavras de ordem como "Vergonha!", "Devolvam-nos as nossas eleições" ou "As vossas eleições são uma farsa".
Mais de 100 pessoas, incluindo o escritor Eduard Limonov, foram identificadas pela polícia em Moscovo e cerca de 70 em São Petersburgo, referiu a polícia.
Diversas ONG e dirigentes da oposição denunciaram pressões com o objectivo de manter o domínio do partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro e pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin e Dmitri Medvedev. As sondagens à boca das urnas confirmavam a vitória nas legislativas do partido no poder, com 46% a 48,5% dos votos.
Em Moscovo, a Praça Triunfalnaia foi cercada por dezenas de polícias e soldados do Ministério do Interior da Rússia para evitar a reunião de manifestantes.
Roman Dobrokhotov, dirigente da organização da oposição Nós, contactado pela Agência Lusa, por telefone, explicou que foi detido não obstante ter mostrado à polícia a credencial de jornalista. "Eu mostrei-lhes a credencial de jornalista, mas de nada adiantou. Fui detido e trazido para um carro celular, onde me encontro com mais seis pessoas. Não sei o que vai acontecer depois", acrescentou ele.
Mais de 60 queixas
Os partidos que participam nas eleições queixam-se de violações em massa no escrutínio. O Partido Comunista queixa-se dos "carrosséis" organizados pelo Partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro e presidente do país, Vladimir Putin e Dmitri Medvedev. Isto consiste em que as mesmas pessoas, a troco de dinheiro, votam em numerosas mesas de voto, sendo transportados por autocarros colocados à disposição pelo partido que detém o poder na Rússia.
O Partido Rússia Justa e o Partido Liberal Democrático acusam as comissões eleitorais de não permitirem o acesso às mesas de voto. O Partido Rússia Unida contra-ataca, acusando a oposição de "propaganda eleitoral ilegal", como distribuição de panfletos e jornais junto das secções de voto.
A Comissão Eleitoral Central da Rússia anunciou ter recebido mais de 60 queixas, que irá analisar.
Diversos sítios de media independentes e de uma ONG que regista as eventuais infracções permaneceram inacessíveis durante o dia. De acordo com os seus responsáveis, a situação foi provocada por "ciberataques orquestrados" e destinados a impedir a divulgação das informações sobre as fraudes.
