
Foto: Frederic J. Brown/AFP
No aniversário da segunda tomada de posse de Donald Trump, grupos de ativistas e manifestantes protestaram nas ruas de Los Angeles contra a "brutalidade" da agência de imigração ICE e o "imperialismo" norte-americano.
"Tenho medo de uma incursão terrestre na Gronelândia e o efeito na NATO", disse à Lusa Joan, uma mulher de 66 anos que participou no protesto em Burbank, a norte de Hollywood. "Trump é ganancioso e um 'bully', quer apanhar o território por causa dos minerais", acrescentou a norte-americana.
"Quero que as imagens destes protestos cheguem à Europa e aos nossos aliados na NATO, para que vejam que os americanos estão a sair às ruas", disse ainda, sublinhando que tem protestado com frequência contra o presidente. "Muitos de nós estão mortificados com os danos que ele está a provocar no nosso país e no mundo".
Joan, que empunhava um cartaz onde se lia "Acabem com o imperialismo, tirem as mãos da Venezuela e Gronelândia", explicou que essa era a sua principal motivação, mas não a única. "Estou aqui por todas as coisas que esta administração está a fazer. O ICE [Immigration and Customs Enforcement] é desumano", afirmou.
O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) foi o principal alvo dos manifestantes, com muitos cartazes e cânticos a denunciar as táticas dos agentes e a violência que causou mortes no último ano, com destaque para a cidadã Renee Good, abatida a tiro em Minneapolis no início de janeiro.
"Este protesto é uma expressão diversificada de resistência contra Trump", disse à Lusa um jovem de 19 anos, que se identificou como Ken e pertence ao grupo de ativistas Indivisible. "Há muita gente a protestar contra o ICE".
Ken explicou que faz parte de um grupo de voluntários que todas as manhãs patrulha as partes de Burbank que estão em maior risco, em busca de possíveis rusgas de imigração. Avisam as comunidades, oferecem recursos e têm uma linha de apoio.
Estudante universitário, Ken afirmou que estes protestos servem não apenas para mostrar à Administração o descontentamento dos cidadãos mas também para os galvanizar. "É para ativar toda esta gente, mantê-los envolvidos a caminho das eleições intercalares", indicou.
Vários manifestantes com quem a Lusa falou referiram a esperança de que os democratas conquistem lugares nas intercalares, a 03 de novembro, e consigam impor alguma resistência à Administração.
Foi o caso de Linda K., de 70 anos, que considerou os protestos importantes para mostrar aos congressistas que a rua está descontente. "Temos de nos levantar", defendeu, dizendo que protestar é a única coisa que podem fazer perante o que está a acontecer.
"Não vim apenas por uma coisa, é por tudo", disse a norte-americana. "Pela brutalidade do ICE, pela obsessão ridícula com a Gronelândia". Linda disse temer que o impasse no território gerido pela Dinamarca leve à destruição da NATO e que Trump está "a fazer o que [Vladimir] Putin quer".
As manifestações fizeram parte do dia de ação nacional "Free America Walkout", com protestos em todo o país no dia em que se assinala o início do segundo ano de mandato de Donald Trump.
O protesto em Burbank foi um de vários espalhados pelo condado de Los Angeles, desde Pasadena e Venice Beach à zona da baixa, onde agentes do ICE fizeram rusgas na semana passada.
"Abaixo Donald Trump", "Imigrantes são bem-vindos aqui" e "ICE fora" foram alguns dos cânticos ouvidos nos protestos, com muitos cartazes anti-ICE. Os manifestantes surgiram de cara destapada, ao contrário do que tinha acontecido em 2025, em que muitos confessaram à Lusa o medo de serem identificados e sofrerem represálias.
