
Portuguesa tem cartazes nas janelas a anunciar portas abertas a fugitivos da polícia federal
Foto: Direitos reservados
Em Shoreline, Seattle, americanos e estrangeiros unem esforços contra a polícia de imigração. Entre salvadorenhos, mexicanos e vietnamitas há uma portuguesa pronta a acolher fugitivos.
"O que faço? Sou mãe", respondeu, com simplicidade. Maria João Galvão, 63 anos acabados de fazer, vive nos EUA há mais de quatro décadas e reconhece que os últimos tempos "não têm sido fáceis". Há dias, a dois quarteirões da sua casa, em Shoreline, no norte de Seattle, um agente do ICE - o serviço que Trump atirou para as ruas de vários estados numa campanha agressiva de fiscalização de imigrantes - deteve um homem que seguia no carro com o filho. O menino, de dois anos, ficou lá, sozinho. "E coisas deste género estão a acontecer a toda hora", revelou. Há medo, claro, mas sobretudo "resistência". É por isso que Maria João tem a casa sinalizada como um espaço onde "todos são bem-vindos, exceto o ICE". Assim, qualquer imigrante fica a saber "que pode lá entrar se estiver a fugir". Fala do cartaz, colado nas janelas, como se fosse um gesto simples, há vizinhos que também o têm. Mas as ações de defesa, qual escudo invisível a erguer-se pela paz, não ficam por aqui.

