
O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov
Foto: Ramil Sitdikov / Reuters / Pool
Rússia e Estados Unidos manifestaram-se prontos para negociar um novo tratado de desarmamento nuclear, com a Presidência russa (Kremlin) a declarar que ambos concordam em manter uma abordagem responsável.
"Há um consenso, que foi discutido [durante as conversações] em Abu Dhabi, sobre os dois lados adotarem posições responsáveis e estarem conscientes da necessidade de iniciar rapidamente as negociações sobre este assunto", disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, aos jornalistas.
O tratado New Start, assinado em 2010 entre a Rússia e os Estados Unidos, limitava o número de lançadores e ogivas nucleares estratégicas deslocadas. O acordo expirou na quinta-feira, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não ter respondido à proposta de Moscovo de o prolongar.
Trump defendeu um "novo tratado, melhorado e modernizado" com a Rússia, argumentando que o New Start foi "mal negociado" pela administração do ex-chefe de Estado norte-americano Barack Obama.
O embaixador da Rússia na ONU afirmou hoje que o seu país estaria pronto para participar em quaisquer negociações multilaterais sobre o controlo de armas nucleares, caso o Reino Unido e a França estivessem envolvidos.
"A Rússia, em princípio, participaria num processo deste tipo se o Reino Unido e a França, aliados militares dos Estados Unidos na NATO, que se declarou uma aliança nuclear, também participassem", disse Gennady Gatilov numa reunião da conferência sobre desarmamento, realizada na sede da ONU em Genebra.
Os Estados Unidos há muito que procuram incluir a China em quaisquer discussões futuras, algo que Pequim descarta, argumentando que o seu arsenal nuclear, embora ainda em desenvolvimento, se mantém numa pequena escala.
Os norte-americanos defenderam hoje o início de negociações multilaterais sobre o controlo de armas nucleares que incluam a China.
"As repetidas violações do tratado New Start por parte da Rússia, o aumento dos arsenais globais e as deficiências na sua conceção e implementação tornam claro para os Estados Unidos que é necessário defender uma nova arquitetura", afirmou o subsecretário de Estado para o Controlo de Armas, Thomas DiNanno, numa reunião da conferência sobre desarmamento na sede da ONU, em Genebra.
Washington e Moscovo vão também retomar o seu diálogo militar de alto nível, suspenso desde 2021, anunciou esta quinta-feira o Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono).
