Papa alerta para uma "nova corrida às armas" com o fim do tratado nuclear EUA-Rússia

Papa Leão XIV demonstrou preocupação com fim do acordo New Start
Foto: Ettore Ferrari / EPA
O Papa Leão XIV alertou na quarta-feira para o risco de uma "nova corrida às armas", dado que o último tratado nuclear entre os EUA e a Rússia está prestes a expirar.
O New Start, o último tratado nuclear entre Washington e Moscovo após décadas de acordos que remontam à Guerra Fria, expira na quinta-feira, e com ele as restrições impostas às duas maiores potências nucleares.
"Exorto-vos a não abandonar este instrumento sem procurar garantir que é implementado de forma concreta e eficaz", disse o Papa na sua audiência geral semanal. "A situação atual exige que façamos tudo o que for possível para evitar uma nova corrida aos armamentos, que ameaça ainda mais a paz entre as nações", afirmou.
Leão XIV, o primeiro Pontífice norte-americano da Igreja Católica, frisou ser "mais urgente do que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética partilhada capaz de orientar as escolhas para o bem comum".
O Kremlin ofereceu uma prorrogação de um ano para o tratado, mas, embora o presidente norte-americano, Donald Trump, tenha dito, em setembro, que uma extensão do New Start "parece uma boa ideia", pouco mudou desde então. O tratado, que incluía um mecanismo de monitorização, foi assinado em 2010 pelo então presidente russo Dmitry Medvedev e pelo homólogo norte-americano Barack Obama.
Mas a Rússia suspendeu as inspeções de monitorização durante a pandemia de Covid-19 e as negociações para prolongar o acordo foram interrompidas nos últimos anos devido às tensões em torno da guerra na Ucrânia. Moscovo acusou ainda Washington de obstruir missões de monitorização em território americano.
Em 2023, a Rússia congelou a sua participação no New Start, mas continuou a aderir voluntariamente aos limites estabelecidos no tratado.
Moscovo testou no ano passado os seus mais recentes lançadores de armas nucleares sem ogivas atómicas, e Trump afirmou que estava a deslocar dois submarinos nucleares para mais perto da Rússia.
