
Os cosmonautas russo Oleg Artemyev (C), Denis Matveyev e Sergei Korsakov (E)
AFP/Agência Espacial Russa Roscomos
Iuri Gagarine, Neil Armstrong, a heroica Laika, satélites e outras sondas de russos e americanos. Os primórdios da corrida espacial remontam aos anos 1950. Sete décadas depois, reacende-se a rivalidade no caminho das estrelas. Nova Guerra Fria? Em órbita entra agora também a China.
A Rússia foi pioneira a lançar humanos para o espaço, homens e mulheres, e também animais, como a célebre Laika, na grande aventura do caminho das estrelas. Finalmente, no auge da Guerra Fria, foi ultrapassada em cima da meta da época, atingida com a alunagem do americano Neil Armstrong, em 1969.
Decorrida a "glasnost", desmembrada a União Soviética e verificado o degelo, as grandes superpotências até se juntaram em expedições siderais conjuntas, como a da Estação Espacial Internacional (EEI), uma proeza tecnológica e política agora posta em causa pela guerra na Ucrânia e pelas ambições de Moscovo num projeto próprio. Problema: a China também entra na corrida e até parece tomar a dianteira.
Em julho, Moscovo deu sinais de todas as hesitações. Primeiro, mandou dizer que cessava a participação na EEI a partir de 2024 e, uns dias depois, mudou de ideias e declarou que permanecia a bordo de um dos maiores símbolos da globalização e na mesma nave com americanos, canadianos e europeus, até concluir o próprio projeto de viagens ao espaço, lá para 2028.
Seja como for, o anunciado distanciamento russo dos parceiros americanos da NASA alarga a perspetiva de retoma das velhas rivalidades. Faz mais de seis décadas, desde 12 de abril de 1961, que chegou o primeiro homem ao espaço, o soviético Iuri Gagarine, a bordo da Vostok 1.
Quatro anos antes, já a URSS lançava o primeiro satélite artificial, o Sputnik, a que se seguiu o envio do primeiro ser vivo para a órbita terrestre, a cadela Laika. E dois anos depois de Gagarine, também foi uma astronauta soviética, Valentina Terechkova, a primeira mulher a voar no espaço. Em 1965, Moscovo deu mais um sinal de primazia científica e tecnológica: Alexei Leonov foi o primeiro a sair de uma nave espacial em plena órbita terrestre.
Pisar a lua
A vanguarda russa parecia inelutável, mas foram os Estados Unidos a ficar com os maiores louros da corrida espacial: em 21 de julho de 1969, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar a Lua. "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade", disse o astronauta americano, numa façanha científica transmitida pela televisão, em direto, para um mundo incrédulo.
Parceria para manter
Ainda assim, a superação americana não apagou os avanços soviéticos, que a Rússia de Vladimir Putin quer retomar. Para já, até ordem em contrário, permanece na EEI até 2028. Já os Estados Unidos pretendem prolongar a estação até 2030. E quando questionada se Washington queria a retirada russa, a diretora da EEI na NASA, Robyn Gatens, respondeu: "Não, de todo. Têm sido bons parceiros, assim como todos os nossos parceiros, e queremos continuar juntos, como uma parceria, para operar a estação espacial ao longo da década".
Pormenores
Satélites em órbita - Segundo a Agência Espacial Europeia, apenas 1800 satélites estão a funcionar. O resto é sucata e lixo espacial.
Galileu - Batizado com o nome do astrónomo florentino do século XVI, o satélite europeu entrou em funcionamento em 2016. É considerado o sistema de navegação mais preciso doMundo. Serve mais de 1,5 biliões de smartphones e de dispositivos.
Voos conjuntos - A Rússia e os Estados Unidos anunciaram a 15 de Julho que iriam retomar os voos conjuntos para a Estação Espacial Internacional (EEI), com dois astronautas norte-americanos a viajarem numa russa Soyuz, em duas missões separadas, enquanto dois cosmonautas russos fariam uma viagem pela SpaceX.
Missão permanente - As tensões entre os Estados Unidos e a Rússia têm estado no seu auge desde o início da ofensiva de Moscovo contra a Ucrânia, mas até agora os dois países continuaram a colaborar no espaço. Astronautas americanos e cosmonautas russos estão permanentemente na EEI.
O risco das sanções - Moscovo adverte que as sanções ocidentais devido à guerra na Ucrânia podem afetar o funcionamento das naves russas que abastecem a EEI e também o segmento russo da estação, responsável pela correção da órbita da estrutura.
NASA - A 1 de março, uma semana após a invasão da Ucrânia pelas tropas russas, a agência espacial norte-americana NASA indicou estar a trabalhar em soluções para manter a EEI em órbita sem a ajuda da Rússia.
Controlo espacial - Smartphones, 5G, Internet de banda larga, navegação por satélite, rádio, tv, alerta de catástrofes, previsão meteorológica são algumas de muitas outras funções, com a gestão do tráfego aéreo, dirigidas desde o espaço.
