"Nem mais uma". Morte de grávida de 33 anos leva polacos à rua por aborto liberalizado
Centenas de polacos exigiram a liberalização da lei do aborto num protesto em Varsóvia e noutras cidades polacas, depois de uma grávida de cinco meses morrer de septicemia. É a morte mais recente desde o endurecimento da lei do aborto na Polónia.
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Dorota Lalik, de 33 anos, morreu no mês passado no hospital João Paulo II em Nowy Targ, no sul da Polónia, um hospital de uma região conservadora da nação de maioria católica.
A mulher, que chegou ao hospital depois de romper a bolsa, foi instruída a deitar-se com as pernas para cima, pois os médicos esperavam que assim recuperasse, e acabou por desenvolver uma septicemia e morrer três dias depois, em 24 de maio.
Na quarta-feira, centenas de pessoas expressaram a sua revolta contra o partido do governo, Lei e Justiça, ou PiS, pelas mortes em maternidades nos últimos dois anos.
Os casos envolveram hospitais que recusaram interromper a gravidez devido à presença de batimentos cardíacos dos fetos, mesmo quando a saúde das mulheres corria perigo.
"PiS mata", lia-se num cartaz de protesto em Varsóvia, onde centenas reuniram-se em torno de um monumento ao astrónomo renascentista Nicolau Copérnico. "Nem mais uma" e "Parem de nos matar", eram outras mensagens exibidas.
De acordo com a lei atual do país, as mulheres têm direito ao aborto apenas em casos de violação ou incesto ou se houver ameaça à vida ou saúde.
As autoridades governamentais enfatizaram esta semana que a lei não foi a causa da morte de Dorota Lalik, que as mulheres têm direito ao aborto legal nesses casos e que o hospital violou o direito ao aborto legal.
