
Saul Loeb/AFP
A estação de televisão Newsmax registou um aumento nas audiências depois de, durante a campanha norte-americana, ter recebido uma pancadinha nas costas do presidente Trump, cada vez mais de costas voltadas para a Fox News.
Seguindo a linha traçada durante o mandato de Donald Trump, a Newsmax destacou-se, durante a campanha presidencial, por se ter inclinado assumidamente para o lado republicano. A tal ponto que até mereceu elogios do presidente derrotado, que instou os eleitores fiéis à Fox News (até então referência informativa do partido) a mudarem de canal. A julgar pelos números, o apelo parece ter funcionado: entre as 16 e as 20 horas da sexta-feira passada, a nova televisão preferida de Trump teve, em média, 700 mil espectadores, sete vezes mais do que a audiência de um dia bom antes do início do período eleitoral.
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A narrativa difundida pelo canal é a de que a eleição não terminou, Trump é mais forte do que Biden, e toda a restante imprensa está errada. "Isto ainda não acabou. Ignorem o que os media populares vos estão a dizer", declarou Greg Kelly, pivô do noticiário das 19 horas, na segunda-feira, como que em jeito de resumo da posição editorial do canal por que dá a cara. E foi mesmo mais longe, ao dizer que Biden não iria ser presidente e ao questionar o motivo pelo qual o Twitter estava a sinalizar como contestáveis as publicações de Trump e não as do democrata - a explicação é pública: o primeiro tem divulgado "informações incorretas".
Discurso similar tem o dono da estação, Christopher Ruddy, jornalista e amigo de Donald: "A Newsmax vai aceitar os resultados e o Colégio Eleitoral quando estes forem certificados". Até lá, a estação de televisão continua a viver num país onde Trump ainda pode ganhar as eleições que perdeu e cuja derrota se recusa a aceitar.
Dono recusa Trump TV
A aproximação entre a Newsmax e Donald Trump poderá legitimamente fazer imaginar que o canal estará à disposição do presidente depois de este abandonar a chefia do país. Mas Ruddy já avisou que a "Newsmax nunca será a Trump TV". "Sempre nos considerámos uma agência de notícias independente e queremos continuar com essa missão", esclareceu.
Ainda assim, o homem-forte da estação não afasta o cenário de ter Donald Trump no canal e abriu a porta a um eventual programa semanal, depois de 20 de janeiro de 2021, fim do mandato. Isto porque Trump continuará a ser "uma força política e mediática depois de deixar a Casa Branca" e a sua presença na estação permitirá consolidar a posição da "Newsmax", cujo objetivo é tornar-se na concorrente direta da "Fox News" e ultrapassar as audiências da rival no próximo ano, admitiu Ruddy em entrevista à "Variety".
As declarações surgem depois de uma empresa de investimentos ligada ao comité nacional republicano (a "Hicks Equity Partners") estar a pensar propôr a compra da "Newsmax", anunciou o "Wall Street Journal". Ruddy esclareceu que a direção do canal não está interessada na venda, mas confirmou o interesse de investidores e atores estratégicos.
