
Já morreram mais de 69 mil pessoas em Gaza
Foto: Eyad Baba / AFP
Soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI) alvejavam "sem restrições" civis na Faixa de Gaza por ordem dos seus oficiais superiores e utilizavam sistematicamente palestinianos como escudos humanos, segundo um documentário da emissora britânica ITV.
O documentário, que irá para o ar esta segunda-feira, apresenta testemunhos anónimos e públicos de vários soldados israelitas, que denunciam um "desaparecimento do código de conduta oficial" em relação aos civis no enclave palestiniano, invadido em 2023 em retaliação pelo ataque do movimento islamita Hamas contra Israel, segundo o "The Guardian".
"Se quiserem disparar sem restrições, podem fazê-lo", diz Daniel, comandante de uma unidade de tanques das FDI, numa das cenas do filme, segundo o jornal britânico.
Os soldados confirmaram ainda o uso rotineiro de escudos humanos e afirmaram que as tropas abriram fogo sem provocação contra os civis que acorriam aos pontos de distribuição de alimentos estabelecidos pela Fundação Humanitária de Gaza, apoiada por Israel e pelos Estados Unidos, em substituição de agências das Nações Unidas e outras organizações humanitárias, acusadas por Israel de cumplicidade com o Hamas.
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Segundo o "The Guardian", o documentário descreve um incidente em que um oficial de alta patente ordenou a um tanque que demolisse um edifício numa área designada como segura para civis, onde um homem estendia roupa no telhado.
Os testemunhos do documentário indicam ainda que, durante o conflito, a definição de quem era ou não inimigo se tornou arbitrária.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 69 mil mortos, segundo as autoridades locais, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.
"Pena de morte para terroristas" em Israel
O Parlamento israelita aprovou hoje à noite, em primeira leitura, a proposta de lei sobre a instauração "da pena de morte para os terroristas", texto à medida para aplicar aos palestinianos reconhecidos culpados dos ataques mortíferos contra Israel.
O texto foi aprovado por uma maioria de 39 votos contra 16.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, figura da extrema-direita israelita, ameaçou deixar de votar com a maioria que apoia o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (direita) se esta proposta, apresentada por uma deputada do seu partido, não fosse sujeita a votação na Knesset.
Agora, o projeto de lei ainda precisa dos votos em segunda e terceira leituras para que possa tornar-se lei.
