
Militares israelitas mataram mais de 240 pessoas desde o início do cessar-fogo em Gaza
Foto: ATEF SAFDI/EPA
O exército de Israel admitiu ter matado, este sábado, dois palestinianos na Faixa de Gaza, depois de estes terem atravessado a "linha amarela" e se terem aproximado das tropas.
Em dois tiroteios distintos no norte e no sul de Gaza, as forças armadas dispararam contra os cidadãos palestinianos que atravessaram esta linha de demarcação estabelecida no âmbito do acordo de cessar-fogo, ao identificá-los como "terroristas", alegando que representavam uma "ameaça imediata" para os soldados.
"Dois terroristas foram identificados a atravessar a 'linha amarela' e a aproximar-se de soldados do exército que operavam no norte de Gaza, representando uma ameaça imediata para os mesmos", indicou o exército de Israel, num comunicado sobre o ataque no norte da cidade palestiniana. Os soldados abriram fogo contra eles, matando um dos dois.
O comunicado do exército de Israel aborda ainda o segundo incidente, registado no sul de Gaza, com a mesma descrição: uma pessoa atravessou a "linha amarela", foi identificada como "terrorista" e morta a tiro (sem disparos de advertência prévia) por representar uma "ameaça imediata" para os soldados. "Os militares do exército no comando sul mantêm-se posicionados de acordo com o acordado e continuam a operar para eliminar qualquer ameaça imediata", lê-se no comunicado.
As regras de empenhamento do exército israelita tendem a permitir que os soldados abram fogo no momento em que se sentem ameaçados, o que abre a porta a disparar contra civis.
Família abatida
Em 18 de outubro, quando o cessar-fogo estava em vigor há pouco mais de uma semana, as tropas identificaram como uma "ameaça imediata" uma carrinha que transportava 11 membros de uma família que se deslocavam para inspecionar a sua casa no leste da cidade de Gaza.
O veículo cruzou a "linha amarela", a fronteira imaginária (e mal demarcada) para a qual o exército israelita recuou quando o cessar-fogo entrou em vigor, e para além da qual o território permanece sob o seu controlo. As tropas consideraram o veículo uma "ameaça imediata" e mataram todos os 11 membros da família, seis deles crianças.
O acordo assinado pelo Hamas e Israel estipula que a trégua abrange toda a Faixa de Gaza e que o exército israelita deve recuar para a "linha amarela", mas isso não significa que o cessar-fogo não se aplique para além dela.
Os militares israelitas mataram mais de 240 pessoas desde o início do cessar-fogo em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde do enclave.
