
Foto: Pedro Mattey/AFP
O partido no poder na Venezuela realiza, esta quarta-feira, uma marcha em Caracas para assinalar o 166.º aniversário da Batalha de Santa Inés, no dia da entrega do Prémio Nobel da Paz à líder opositora María Corina Machado.
A manifestação pró-Governo de Nicolás Maduro, convocada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), partirá de dois pontos da zona oeste da capital venezuelana e deverá terminar nas imediações do Palácio de Miraflores, sede do poder executivo.
Nos últimos meses, o chavismo convocou várias marchas em Caracas para protestar contra o destacamento aéreo e naval dos Estados Unidos no Mar das Caraíbas, junto às águas venezuelanas, que classifica como uma "ameaça" à soberania nacional e uma tentativa de mudança de regime.
O Governo do presidente norte-americano, Donald Trump, não reconhece a legitimidade do presidente Nicolás Maduro e acusa-o de controlar o alegado Cartel dos Sóis, tendo reforçado desde meados do ano uma presença militar sem precedentes na região, oficialmente para combater o tráfico de droga.
A marcha de hoje foi convocada pelo secretário-geral do PSUV e ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado Cabello, que classificou o Prémio Nobel da Paz como "um leilão" atribuído "à maior licitação", ao comentar a distinção concedida à dirigente opositora.
Em simultâneo, vários presidentes latino-americanos, líderes da oposição venezuelana e familiares de María Corina Machado reuniram-se hoje em Oslo para a cerimónia de entrega do Nobel da Paz, embora a laureada não tenha estado presente, devendo chegar à capital norueguesa "dentro de algumas horas", segundo a filha, Ana Corina Sosa.
María Corina Machado tornou-se a sétima latino-americana a receber o Prémio Nobel da Paz, atribuído, segundo o Comité Norueguês do Nobel, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e pela sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia".
Na terça-feira, cerca de 200 pessoas participaram em Oslo num protesto contra a atribuição do prémio à líder da oposição venezuelana, organizado por várias organizações norueguesas.
A presidente da Associação Norueguesa para a Paz, Kari Anne Naess, afirmou na ocasião que Machado "não merece o Prémio Nobel da Paz", defendendo que a distinção deveria ir para alguém que "apoie o diálogo pacífico e una as pessoas".
