
Sobreviventes assistiram à rejeição do pedido de debate sobre armas
Colin Hackley/Reuters
A Câmara dos Representantes do estado da Florida, nos EUA, recusou debater uma moção sobre a proibição de venda de armas mas fez passar uma resolução que declara a pornografia perigosa, na sessão de terça-feira.
9119626
A moção sobre a proibição de venda de armas semiautomáticas foi apresentada na sequência do tiroteio no liceu Marjory Stoneman Douglas, em Parkman, no passado dia 14, no qual um ex-aluno de 19 anos matou 17 pessoas.
"Infelizmente, apenas cinco dias depois de 17 pessoas terem sido mortas a tiro numa escola na Florida, a Câmara dos Representantes apenas aprovou uma declaração que declara a pornografia 'um risco de saúde pública'", declarou o deputado democrata Carlos Guillermo Smith.
"Basicamente, o que determinaram é que são estas as prioridades dos Republicanos em 2018: perder tempo com debate e legislação que declare a pornografia como uma ameaça de saúde. Entretanto não podemos sequer ter um debate, voto ou audição ou qualquer coisa relacionada com armas", acrescentou. "É muito triste".
A sessão de terça-feira abriu com o deputado democrata Kionne McGhee a pedir atenção para o tema da proibição da venda de armas semiautomáticas, que foi atribuído a três comissões mas ainda não tem datas agendadas.
A moção foi rejeitada por 71 votos contra e 36 a favor, em três minutos, para lamento e indignação dos sobreviventes do tiroteio no liceu que estavam a assistir nas galerias.
"Parecem que não têm coração pela forma como imediatamente carregaram no botão para votar 'não'", disse Sheryl Acquaroli, 16 anos, à CNN. "Tiveram oportunidade de parar isto [tiroteios]. Se houver outro tiroteio fatal vai ser culpa deles", acrescentou.
Menos de uma hora depois, o deputado republicano Ross Spano apresentou uma resolução alegando que ver pornografia pode causar "doenças mentais e físicas" além de "comportamentos sexuais desviantes ou problemáticos". Esta moção foi aprovada.
"Acha que classificar a pornografia como um risco de saúde pública é mais importante do que debater a violência armada, especialmente depois dos eventos da semana passada e de 12 de junho de 2016, quando 29 pessoas foram mortas a tiro na [discoteca] Pulse?", questionou Carlos Guillermo Smith.
