O presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou hoje, quinta-feira, o que considerou ser "uma tentativa de golpe de Estado", com militares amotinados a ocuparem o aeroporto da capital e polícias o parlamento.
"Isto é uma tentativa de golpe de Estado conduzida pela oposição e por alguns sectores das forças armadas e da polícia", declarou Correa a uma televisão local.
O governo do Equador decretou hoje o estado de excepção em todo o país e delegou nas Forças Armadas a segurança interna e externa no país, na sequência dos protestos de militares e polícias contra o corte de regalias.
O secretário jurídico da presidência, Alexis Mera, disse em conferência de imprensa que foi declarado "o estado de excepção por uma semana" e que durante este período os militares assumirão o controlo da segurança.
Correa afirmou, por telefone, que estava refugiado num quarto de hospital em Quito, e que receava pela sua vida.
"Se me acontecer alguma coisa, quero exprimir o meu amor à minha família e à minha pátria", declarou.
O porta-voz da empresa Quiport, gestora do aeroporto, Luis Galarraga, afirmou a uma rádio que "cerca de 150 membros da força aérea tomaram a pista do aeroporto Mariscal Sucre" e acrescentou que "por razões de segurança", as operações do aeroporto foram suspensas.
Entretanto, dezenas de polícias manifestavam-se na principal unidade militar, mas também em Guayaquil, uma grande cidade portuária no sudoeste equatoriano, e em Cuenca.
Pelas 12.30 horas locais [18.30 horas de Lisboa], os polícias ocuparam o parlamento, disse à agência France-Presse o porta-voz da instituição.
Rafael Correa, que se dirigiu aos polícias amotinados para tentar acalmar os ânimos, teve de fugir de uma granada de gás lacrimogéneo, caída perto de si, e abandonar o local, com uma máscara na cara, depois de um discurso inflamado onde anunciava que não cederia.
"Não darei um único passo atrás, se quiserem tomar as casernas, se quiserem deixar os cidadãos sem defesa, se quiserem trair a vossa missão de polícias", façam-no", desafiou.
Depois, claramente fora de si, arrancou a gravata, gritando aos polícias: "Se quiserem destruir a pátria, avancem. Mas este presidente não recuará".
"A tropa unida jamais será vencida", gritavam, pela sua parte, os polícias, apelando aos militares para que se juntem ao movimento.
O comandante das Forças Armadas, Ernesto Gonzalez, já anunciou o seu apoio ao governo de Rafael Correa.
Apoiado por 53 por cento dos equatorianos, segundo uma sondagem Cedatos-Gallup, publicada em meados de Setembro, Rafael Correa, 47 anos, reeleito em Janeiro de 2007, com mandato até 2013, confronta-se com protestos de vários sectores, designadamente professores e motoristas.
Os três anteriores antecessores de Correa foram destituídos da Presidência por golpes de Estado.
