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Jaime Orlando Macedo, luso-venezuelano detido desde junho de 2025 sem acusação, foi libertado e já está em casa com a mãe e a irmã.
"Esta noite recebemos uma notícia que traz alívio e esperança: Jaime Orlando dos Reis Macedo foi libertado. Depois de meses de detenção arbitrária, Jaime já se encontra em casa, junto da sua mãe e da sua irmã. Segundo a sua afilhada, ainda está em choque, mas rodeado da família uma família que hoje consegue, finalmente, viver este momento com alguma paz. Tive a oportunidade de falar também com a sua irma Jenny quem está muito feliz pela libertação do seu irmão, um momento muito esperado pela família", escreveu Carlos José Fernandes Ribeiro, deputado na Madeira que anunciou a libertação.
Segundo o deputado, o homem de origem madeirense ficou conhecido como o "preso-fantasma": "O seu único "crime" foi ser familiar de uma defensora incansável dos direitos humanos, a minha amiga Ana Karina García. Foi detido em julho de 2025, num claro exemplo de perseguição e repressão política".
Para Carlos José Fernandes Ribeiro, a sua libertação "é importante, mas não chega". "Continuamos a exigir liberdade para todos os presos políticos, incluindo os luso-venezuelanos que permanecem injustamente detidos. Não esquecemos. Não desistimos, a liberdade tem de ser para todos", rematou.
A notícia foi confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), que saudou a "libertação do cidadão luso-venezuelano Jaime Reis Macedo, detido desde 18 de julho de 2025". "A Jaime Reis e à sua família, toda a solidariedade", lê-se numa publicação no X (antigo Twitter). "Portugal mantém firme o compromisso diplomático pela liberdade de todos os presos políticos e pelos direitos humanos".
O Governo saúda a libertação do cidadão luso-venezuelano Jaime Reis Macedo, detido desde 18 de julho de 2025. A Jaime Reis e à sua família, toda a solidariedade.
- Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) February 4, 2026
mantém firme o compromisso diplomático pela liberdade de todos os presos políticos e pelos direitos humanos.
Terceiro luso-venezuelano libertado
Na Venezuela existem pelo menos 711 presos políticos, incluindo 65 estrangeiros, segundo a ONG Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos.
Sob pressão dos Estados Unidos, após a detenção do presidente Nicolás Maduro, o governo venezuelano prometeu em 8 de janeiro libertar os presos políticos, mas tais libertações têm ocorrido apenas esporadicamente. O governo venezuelano anunciou em 26 de janeiro que tinham sido libertados mais de 800 presos políticos, sem nunca os referir como tal, alegando que as libertações começaram "antes de dezembro", embora a captura de Maduro tenha ocorrido em 3 de janeiro. A ONG Foro Penal contesta esse número, reportando apenas 418 libertações desde dezembro, 303 destas desde 8 de janeiro.
O MNE anunciou no domingo a libertação do médico Pedro Javier Rodriguez, de 43 anos, que esteve detido por atividade oposicionista nas redes sociais durante três meses. Em reação à libertação de Rodriguez, o Governo Regional da Madeira expressou uma "expetativa positiva" em relação à iniciativa da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, que anunciou pretender apresentar uma proposta de lei de amnistia para abranger os presos políticos detidos desde 1999 - período que abrange os governos chavistas. O Governo madeirense relembrou que ainda estão detidos outros madeirenses e lusodescendentes oriundos desta região autónoma, enunciando Juan Francisco Rodríguez dos Ramos, Fernando Venâncio Martínez, além do agora libertado Jaime Reis Macedo, "situações que continuam a merecer a mais elevada atenção por parte da Madeira".
Antes, havia sido libertada a luso-venezuelana Carla Rosaura da Silva Marrero, condenada a mais de 20 anos de prisão na Venezuela, de acordo com o MNE. Fonte do MNE indicou posteriormente à agência Lusa que Carla da Silva estava presa desde 5 de maio de 2020 e que tinha sido condenada a 21 anos de prisão por "conspiração e associação para cometer crimes". Carla da Silva, agora com 42 anos, tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o Governo da Venezuela.
Dezenas de familiares estão acampados em frente às prisões de todo o país desde 8 de janeiro, aguardando as libertações.
Várias ONG têm esclarecido que os presos políticos foram libertados, mas não completamente, pois receberam medidas alternativas à prisão.
A coordenadora da organização Justiça, Encontro e Perdão (JEP), Martha Tineo, indicou em 28 de janeiro que os presos políticos que saíram da prisão nas últimas semanas enfrentam restrições como a proibição de sair do país e de falar com a imprensa sobre os seus casos e a obrigação de comparecer periodicamente perante os tribunais.
