
O ex-príncipe André ocupa atualmente o oitavo lugar na linha de sucessão ao trono britânico
Foto: Adam Vaughan/EPA
Detenção de André Mountbatten-Windsor reacende debate sobre lugar na hierarquia real britânica. Sondagem indica que 82% dos britânicos defendem a remoção do ex-príncipe André, enquanto líderes partidários pedem prudência até conclusão da investigação.
A detenção de André Mountbatten-Windsor voltou a colocar o seu nome no centro do debate político no Reino Unido. O ex-príncipe, atualmente oitavo na linha de sucessão ao trono britânico, foi libertado após mais de dez horas sob custódia policial e não foi acusado de qualquer crime, mas o caso está a intensificar a pressão pública e institucional.
A polícia confirmou que continuam as buscas na antiga residência do ex-duque em Berkshire, depois de terem sido concluídas diligências na casa situada na propriedade de Sandringham, no condado de Norfolk. A detenção ocorreu por suspeitas de má conduta em funções públicas, no âmbito de alegações de partilha de documentos confidenciais com Jeffrey Epstein, num processo que continua sob investigação policial.
No plano político, multiplicam-se as reações. O porta-voz da oposição para os assuntos da Escócia, Andrew Bowie, afirmou à "GB News" que a saída da linha de sucessão seria "a atitude mais decente". O dirigente acrescentou que, caso venha a ser considerado culpado, "o Parlamento estaria perfeitamente dentro dos seus direitos para agir e removê-lo da linha de sucessão", ressalvando, porém, que "ainda não foi considerado culpado de nada" e que a investigação deve seguir o seu curso.
Também o líder do Partido Nacional Escocês, Stephen Flynn, defendeu que o estatuto do ex-príncipe deve ser analisado. Ao jornal "The Sun" declarou que "o público ficará, com razão, indignado por um homem que mentiu sobre ser amigo de Epstein poder ainda estar na linha para ser chefe de Estado".
Parlamento poderá ser chamado a pronunciar-se
O líder dos Liberal Democratas, Ed Davey, adotou um tom mais prudente. Em comunicado, afirmou que "o mais importante neste momento é permitir que a polícia faça o seu trabalho, sem receios nem favorecimentos", acrescentando que esta é "uma questão que o Parlamento terá de considerar quando chegar o momento certo" e que, naturalmente, a monarquia quererá garantir que não venha a tornar-se rei.
A opinião pública parece acompanhar o debate político. Uma sondagem divulgada pela YouGov indica que 82% dos britânicos defendem a remoção de André Mountbatten-Windsor da linha de sucessão, enquanto apenas 6% consideram que deve manter-se.
A imagem do ex-príncipe à saída de uma esquadra foi divulgada em vários países, captada por um fotógrafo da Reuters, num retrato que simboliza a dimensão do caso.
Fora do Reino Unido, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, descreveu a detenção como uma "queda extraordinária em desgraça", mas afastou a possibilidade de um novo referendo sobre a transformação da Austrália em república, lembrando que consultas desse tipo "são difíceis de aprovar" no seu país.
Nos Estados Unidos, a advogada Gloria Allred, que representa vítimas de Jeffrey Epstein, afirmou não acreditar que haja "qualquer justiça real" para as pessoas traficadas e abusadas, apesar da detenção. Considerou que alegações de segredos de Estado e crimes financeiros parecem ter prioridade, enquanto acusações de violação, abuso sexual infantil e tráfico sexual "levam muitos anos a investigar e não resultam em detenções nem em responsabilização para as vítimas, que são mulheres e raparigas".
Enquanto a investigação prossegue, cresce a pressão para que o Parlamento britânico clarifique até que ponto a linha de sucessão deve refletir não apenas critérios dinásticos, mas também exigências de responsabilidade pública num contexto de escrutínio acrescido sobre a monarquia.

