
EUA atacaram as centrais nucleares do Irão espalhadas pelo Mundo
Foto: US Navy / AFP
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) confirmou esta terça-feira que a central nuclear de Natanz foi atacada durante os mais recentes bombardeamentos contra o Irão, sem que, no entanto, tenham ocorrido fugas de radioatividade.
O programa nuclear do Irão está distribuído por vários centros localizados em diferentes zonas do país, vários deles subterrâneos e sob a supervisão da agência nuclear da ONU no âmbito do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
Estas são as principais instalações nucleares do Irão:
Natanz
Localizada no centro do país, Natanz é a principal central de enriquecimento de urânio do Irão.
Esta central nuclear abriga milhares de centrífugas de diferentes modelos e velocidades para enriquecer urânio, um material de dupla utilização, civil e militar.
O complexo inclui a Planta de Enriquecimento de Combustível (FEP), concebida para o enriquecimento de urânio em escala comercial e com capacidade para albergar até 50 mil centrífugas.
Natanz foi alvo de incidentes de sabotagem no passado e foi bombardeada pela primeira vez em junho de 2025 por Israel e pelos EUA.
As centrífugas servem, como o nome indica, para centrifugar gases e com isso efetuar a separação de isótopos e enriquecer, neste caso, urânio.
Quantas mais centrífugas, maior a eficiência no enriquecimento de urânio.
Fordow
Localizada a cerca de 90 quilómetros a sudoeste de Teerão, perto da cidade santa de Qom, Fordow é uma das mais importantes centrais de enriquecimento de urânio do Irão, uma vez que se encontra a cerca de 80 metros abaixo do solo, no interior de uma montanha.
Apesar disso, a instalação foi bombardeada pelos EUA em junho de 2025 com bombas capazes de penetrar o solo e explodir posteriormente no interior.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os ataques tinham "obliterado total e completamente" as três principais instalações nucleares do Irão: Fordow, Natanz e Isfahan.
Desde então, os inspetores da AIEA não têm acesso aos locais.
A existência de Fordow foi revelada em 2009, o que provocou críticas e sanções internacionais.
No acordo nuclear de 2015, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), o Irão comprometeu-se a transformar a central num centro de pesquisa científica, embora tenha posteriormente retomado as atividades de enriquecimento de urânio.
Isfahán
Na cidade de Isfahán encontra-se o Centro de Tecnologia Nuclear do Irão e uma instalação de conversão de urânio.
Lá, o concentrado de urânio é transformado em hexafluoreto de urânio (UF6), o gás que posteriormente é introduzido nas centrífugas para o seu enriquecimento.
O complexo inclui a Fábrica de Placas de Combustível (FPFP) e a Instalação de Conversão de Urânio (UCF).
Em Isfahan, que também foi bombardeada nos ataques israelitas do ano passado, existem ainda equipamentos para fabricar urânio metálico e máquinas para produzir peças de centrifugadoras, bem como reatores de investigação de pequena dimensão construídos com assistência estrangeira na década de 1970.
Arak
Em Arak, a cerca de 190 quilómetros a sudoeste de Teerão, encontra-se uma fábrica de produção de água pesada e um reator de investigação de água pesada.
Este tipo de reator pode gerar plutónio, outro material suscetível de ser utilizado em armas nucleares.
Ao abrigo do acordo nuclear de 2015, o Irão concordou em redesenhar e remodelar o reator para limitar a produção de plutónio e evitar a sua possível utilização para fins militares.
A água pesada, entre muitas outras utilizações, é usada na refrigeração de reatores nucleares.
Bushehr
Na costa sul do país, junto ao Golfo Pérsico, encontra-se a central nuclear de Bushehr, a única central nuclear operacional do Irão.
A construção da instalação começou na década de 1970, foi interrompida após a Revolução Islâmica de 1979, e foi posteriormente retomada com o apoio da Rússia.
A central, que funciona com combustível fornecido pela Rússia, entrou em operação em 2010 e atingiu a sua capacidade total em 2013.
Posteriormente, foram iniciados projetos para ampliar o complexo com novas unidades.
Darjovin
No final de 2022, o Irão anunciou a construção de uma nova central nuclear em Darjovin, no sul do país, com um reator de 360 megawatts de potência.
Outras instalações
O Irão também possui minas de urânio, como as de Gchine e Saghand, e instalações para a trituração e concentração do mineral, bem como centros dedicados à investigação e desenvolvimento de tecnologia nuclear.
