
Putin contou as conversações existentes entre as autoridades russas e Snowden
Reuters
O presidente russo, Vladimir Putin, reafirmou esta quarta-feira que não entregará Eduard Snowden, antigo colaborador da Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana, aos Estados Unidos.
"Sabe, às vezes pensei que ele era um rapaz estranho. Não imagino que ideia faz de si esse jovem de 30 e poucos anos. Como tenciona organizar a sua vida futura? Ele condenou-se a uma vida bastante complicada. Não imagino o que irá fazer. Mas já está claro que não o entregaremos, pode sentir-se seguro aqui", declarou o Presidente russo numa entrevista ao Primeiro Canal da Televisão Russa e à agência AP.
"Talvez dentro de algum tempo a própria América compreenderá que não se trata de um traidor e espião, mas de uma pessoa com convicções definidas, que podem ser avaliadas de forma diferente. E talvez sejam conseguidos compromissos. Não sei, é o destino que ele escolheu. Considera que é uma atitude nobre, justificada e que são precisas vítimas dessas", acrescentou.
Putin contou pela primeira vez as conversações existentes entre as autoridades russas e Snowden antes da sua chegada à Rússia: "Se ele quer ficar no nosso país? Nesse caso deve pôr fim a qualquer atividade que destrua as relações russo-americanas. Ele respondeu: Não, sou lutador pelos direitos humanos, apelo-vos a que lutem comigo. Eu disse: Não, nós não vamos lutar com ele, que lute sozinho".
Vladimir Putin admitiu também que os Estados Unidos têm o direito de exigir a extradição do antigo colaborador da NSA, mas sublinhou que não se trata de uma questão de ter razão, "mas da falta de um acordo de extradição mútua de criminosos".
Segundo o chefe de Estado, Snowden não propôs revelar segredos à Rússia, nem esta o obrigou a isso.
