Putin saúda posição da Hungria sobre a Ucrânia e Orbán mantém importações de energia

Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, recebido em Moscovo por Vladimir Putin
Foto: Alexander Nemenov/ AFP
O presidente russo, Vladimir Putin, saudou a posição da Hungria sobre a guerra na Ucrânia ao receber em Moscovo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que prometeu continuar a comprar petróleo e gás à Rússia.
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"Conheço a sua posição equilibrada sobre a questão ucraniana", declarou Putin a Orbán, que, no seio da União Europeia (UE), se opõe às sanções contra a Rússia e critica o apoio a Kiev.
Putin aceitou uma proposta de Orbán de acolher em Budapeste as negociações de paz para a Ucrânia.
"Se durante as nossas negociações a plataforma de Budapeste for utilizada, também ficarei encantado. E quero agradecer-lhe a disposição para ajudar", disse Putin a Orbán.
Putin disse que já tinha concordado quando o presidente norte-americano, Donald Trump, sugeriu em outubro a capital húngara para a cimeira russo-americana, que foi cancelada.
"Foi uma proposta do Donald. Ele disse: 'Nós temos uma boa relação com a Hungria, você e o Viktor têm uma boa relação, eu também. Claro que aceitamos com prazer'", comentou.
Orbán assegurou que a reunião de hoje em Moscovo lhe permitia confirmar a disponibilidade da Hungria para acolher as negociações e "contribuir para o desfecho bem-sucedido" do processo de paz para a Ucrânia.
"A Hungria está interessada na paz e esperamos sinceramente que a iniciativa de paz recentemente revelada conduza, afinal, a essa paz", afirmou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
O chefe do governo populista referiu que a política externa da Hungria em relação à Rússia é consequente e não admite pressões externas.
Orbán reafirmou que a Hungria continuará a comprar produtos energéticos à Rússia, apesar das sanções decretadas pela UE por causa da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
"O abastecimento de energia proveniente da Rússia constitui atualmente a base do fornecimento de energia da Hungria e assim continuará a ser no futuro", declarou Orbán, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
O chefe do Governo insistiu que Budapeste valoriza "enormemente a estabilidade e a previsibilidade do fornecimento energético russo".
"A Hungria está interessada em manter um diálogo energético" com a Rússia, disse Orbán a Putin.
Referiu também que, "dado o clima político atual", foi feito "um grande esforço" para desenvolver a cooperação entre os dois países e afirmou: "Espero sinceramente que façamos muito mais".
Orbán disse igualmente que a Hungria "padece o impacto do conflito ucraniano e sofre perdas económicas significativas" e assinalou que tranto o seu país como o resto da Europa são prejudicados na cooperação económica pela guerra.
Participaram da reunião os chefes da diplomacia da Rússia, Serguei Lavrov, e da Hungria, Péter Szijjártó.
Também participou o vice-primeiro-ministro russo, Alexandr Nóvak, coordenador da política energética da Rússia, que fornece petróleo e gás a Budapeste a preços abaixo do mercado.
A viagem a Moscovo é a segunda desde o ano passado para Orbán, que é amplamente considerado o parceiro mais próximo de Putin entre todos os líderes da UE.
A Hungria é um dos poucos países da UE a importar combustíveis fósseis russos.
Orbán tem-se oposto veementemente aos esforços do bloco para livrar os 27 países-membros do fornecimento de energia russa.
