Quase dois meses após incêndio de Crans-Montana 58 vítimas continuam hospitalizadas

Área ao redor do bar Le Constellation, na estância de esqui de Crans-Montana, foi isolada pela Polícia suíça
Foto: Alessandro Della Valle / EPA
Dos 115 feridos causados pelo incêndio num bar em Crans-Montana (Suíça) na véspera do início deste ano de 2026, 58 continuam hospitalizados quase dois meses depois da tragédia, informou esta terça-feira a agência nacional suíça ATS.
Segundo dados da Rede Nacional de Medicina de Catástrofes, 30 feridos continuam internados em hospitais e clínicas suíças e outros 28 em centros de outros países.
A agência recordou que já não existem pacientes internados no Hospital do Valais, localizado no cantão onde ocorreu o incêndio, enquanto dois feridos continuam nos cuidados intensivos no Hospital Universitário Infantil de Zurique.
Por outro lado, 11 pacientes internados no estrangeiro receberam alta nas últimas duas semanas.
Entre os que continuam a receber tratamento hospitalar, 14 encontram-se em França, quatro na Alemanha, oito em Itália e dois na Bélgica.
Por outro lado, a rádio francesa RTL revelou parte do conteúdo das recentes audiências de Jacques e Jessica Moretti, o casal proprietário do bar sinistrado e que compareceram perante os advogados das famílias das vítimas a 11 e 12 de fevereiro, em Sion, a capital do cantão de Valais.
Questionado sobre a espuma insonorizante do bar "Le Constellation", que cobria o teto do local e foi o material pelo qual o fogo se propagou rapidamente, Jacques Moretti assegurou que tinha realizado vários testes com um maçarico, sem que pegasse fogo.
Interrogado também sobre a ausência de simulacros de incêndio nos anos anteriores à tragédia, o proprietário do estabelecimento argumentou que nem o responsável pela segurança local nem outros o tinham sugerido.
A RTL também referiu as respostas de Jessica Moretti, suspeita, segundo vários advogados das famílias, de ter abandonado o bar "precipitadamente" após o sinistro.
"Queria chamar os bombeiros, acreditava que era a única maneira para salvar o maior número possível de pessoas. Estava a pensar voltar para dentro quando todos tivessem sido retirados", respondeu o coproprietário.
A proprietária também teve de explicar se tentou resgatar alguém das chamas: "Não o fiz porque pensei que toda a gente me estava a seguir, não achei que fosse assim tão grave, pensei que, depois de sairmos, poderíamos descer e apagar o fogo", afirmou, segundo declarações citadas pela RTL.
