
Aeronave dos Médicos sem Fronteiras aterrou também no aeroporto de Sanaa, a capital iemenita, no dia em que nove marinheiros foram libertados.
Foto: Yahya Arhab / EPA
Os rebeldes hutis do Iémen libertaram esta quarta-feira marinheiros mantidos em cativeiro desde o ataque de julho ao navio Eternity C, no mar Vermelho, que fez pelo menos quatro mortos a bordo e afundou a embarcação.
Os hutis, apoiados pelo Irão e que atacaram navios durante a guerra entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza, disseram, através do seu canal de notícias por satélite Al-Masirah, que Omã assumiu a custódia dos marinheiros, que estavam em voo para o sultanato. Omã não confirmou até agora a libertação da tripulação do navio Eternity C, mas um jato da sua Royal Air Force aterrou há algumas horas em Sana, a capital iemenita há mais de uma década controlada pelos rebeldes, de acordo com dados de seguimento de voos analisados pela agência de notícias norte-americana "Associated Press" (AP).
As Filipinas indicaram na terça-feira esperar a libertação de nove marinheiros filipinos detidos pelos hutis desde o ataque. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Manila descreveu os marinheiros como "mantidos reféns pelos hutis" desde julho.
Os hutis não forneceram ainda qualquer informação sobre as nacionalidades dos libertados.
O ataque ao navio de carga a granel de pavilhão liberiano deixou também 11 pessoas desaparecidas. Na sua ofensiva, os hutis atacaram com mísseis e drones mais de 100 navios, afundando quatro deles. Os ataques fizeram pelo menos nove mortos entre os marinheiros, depois de um membro da tripulação de um dos navios atacados, o Minervagracht, ter em outubro sucumbido aos ferimentos sofridos.
Os hutis interromperam os seus ataques durante o breve cessar-fogo anterior na guerra em Gaza, no início do ano. Posteriormente, tornaram-se alvo de uma campanha de ataques aéreos que durou semanas, ordenada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, antes de este declarar que tinha sido alcançado um cessar-fogo com os rebeldes.
O cessar-fogo em vigor na guerra em Gaza, desde 10 de outubro, fez com que os hutis voltassem a suspender os seus ataques. Entretanto, está em causa o futuro das negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear de Teerão, depois de Israel ter lançado em junho uma guerra de 12 dias contra a República Islâmica, durante a qual as forças norte-americanas bombardearam três centrais nucleares iranianas.
