
Restos mortais entregues ontem são de pessoa já sepultada em Israel
Foto: Atef Safadi/EPA
Os restos mortais entregues pelo Hamas a Israel na segunda-feira não são de nenhum dos 13 reféns mortos que ainda estão em Gaza, mas de uma pessoa já sepultada em Israel.
Os órgãos de comunicação social israelitas adiantaram que o Instituto Nacional Forense do Ministério da Saúde deu conta do engano relativamente aos restos mortais entregues, ontem à noite, pelo grupo islamita palestiniano Hamas ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
A situação levou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a anunciar uma reunião de emergência para discutir possíveis respostas aos atrasos na devolução dos corpos.
As autoridades israelitas têm criticado a demora do processo, até porque o prazo estabelecido no acordo de cessar-fogo para a entrega de todos os reféns - vivos ou mortos - já expirou há duas semanas.
Esta não é a primeira vez que acontece um erro na devolução de corpos. Já a 14 de outubro, o grupo islamita Hamas tinha entregado três corpos de reféns mortos, mas as análises forenses comprovaram que um deles não correspondia a nenhum dos reféns esperados.
A grande maioria dos cerca de 200 habitantes de Gaza devolvidos por Israel também não pôde ser identificada devido aos sinais de abuso e à falta de equipamento forense nos hospitais.
Os islamitas reiteraram na segunda-feira a dificuldade em localizar os corpos dos reféns devido às toneladas de escombros que cobrem Gaza e porque muitos dos comandantes responsáveis por enterrá-los já não se lembram do local exato ou já foram mortos.
Israel está a permitir ajuda do Egito nas buscas.
Apesar de tudo, o Hamas reiterou o seu desejo de, no âmbito do cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de outubro, devolver todos os corpos e de não dar a Israel "nenhum pretexto" para retomar os bombardeamentos.
No domingo, as fações palestinianas alargaram a busca de novos corpos para zonas para lá da chamada "linha amarela", a parte que continua sob controlo militar do Exército israelita, que continua a controlar 53% do enclave, apesar de uma retirada parcial.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha esteve presente nas escavações, para as quais o Egito também enviou carregadoras, escavadoras e veículos.
