
Apenas doze doentes por dia, em média, abandonaram o enclave para receber tratamento médico
Foto: Omar Al-Qattaa / AFP
A organização não-governamental (ONG) Save the Children alertou esta sexta-feira que ao ritmo atual, a retirada de doentes através da passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, levaria quatro anos e meio para ser concluída.
A ONG observou que apenas cerca de doze doentes por dia, em média, abandonaram o enclave para receber tratamento médico no estrangeiro, em comparação com os 50 por dia que foram acordados.
Há o relato da morte, nos últimos dias, de um rapaz de sete anos que aguardava a sua retirada para tratamento de um problema renal.
Assim, a ONG sublinhou que, a este ritmo, seriam necessários quatro anos e meio para retirar 20 mil pessoas, incluindo quatro mil crianças, que necessitam de cuidados médicos fora de Gaza.
Dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo grupo islamita Hamas, indicam que 1268 doentes morreram nos últimos dois anos à espera de permissão para viajar em busca de tratamento médico.
"Milhares de pessoas em Gaza estão a enfrentar uma lenta sentença de morte", disse Shurouq, gestor de multimédia da Save the Children em Gaza.
"O compromisso assumido na passada segunda-feira em relação à passagem de Rafah está a falhar catastroficamente em satisfazer as necessidades médicas básicas de milhares de crianças", lamentou.
O responsável sublinhou que "desde a abertura da passagem, as autoridades israelitas não têm cumprido este compromisso todos os dias".
"Uma criança já morreu tragicamente, uma morte evitável. Este horror não terminará se as autoridades continuarem a este ritmo", afirmou.
"Para quem está em lista de espera, o processo é aleatório e confuso. O povo de Gaza está cansado de promessas vãs disfarçadas de progresso por parte das autoridades israelitas", explicou, antes de insistir que "a passagem fronteiriça de Rafah deve ser aberta de forma urgente, sem restrições". "As pessoas não podem esperar mais um dia", concluiu.
A passagem de Rafah é a única em Gaza que não conduz a território israelita e é considerada um ponto crucial para a entrada de mantimentos para a população palestiniana, que está mergulhada numa grave crise humanitária devido à ofensiva israelita, que impôs duras restrições à entrega de ajuda humanitária após o ataque em larga escala à Faixa de Gaza em outubro de 2023.
A reabertura faz parte da implementação do acordo de outubro mediado pelos Estados Unidos, que até agora incluiu a entrega de todos os reféns israelitas - vivos e mortos - e uma libertação limitada de prisioneiros palestinianos.
Agora, as autoridades de Gaza devem entregar o controlo do enclave a um grupo de técnicos palestinianos, que terão de se coordenar com o Conselho de Paz liderado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para a próxima etapa.
