
A Rússia estima que as "duas partes" do conflito sírio tenham participado no massacre que fez mais de uma centena de mortos em Houla, na sexta-feira. Pequim pede uma "investigação imediata". Itália está pronta para apoiar uma nova resolução "mais robusta" da ONU.
"É uma situação em que manifestamente participaram as duas partes [forças de segurança sírias e grupos da oposição]", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, à saída de um encontro com o seu homólogo britânico William Hague, citando a existência de ferimentos à queima-roupa, além de fogo de artilharia.
A oposição síria acusa as autoridades sírias por um ataque, sexta-feira, a um bairro residencial em Houla, no centro, do qual resultaram pelo menos 108 mortos, incluindo 32 crianças com menos de 10 anos, segundo a ONU.
Pequim pediu, esta segunda-feira, uma "investigação imediata" do massacre do qual resultaram pelo menos 108 mortos em Houla, mas sem responsabilizar o Governo sírio como o fez no domingo o Conselho de Segurança da ONU.
A China "condena vigorosamente" este banho de sangue e exige uma "investigação imediata sobre os factos, bem como a identificação dos autores", declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Weimin.
Liu Weimin também apelou para a adoção completa do plano de paz de seis pontos do mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.
A declaração surge depois de o Conselho de Segurança da ONU ter condenado o Governo sírio pelo massacre de Houla.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Giulio Terzi, afirmou que Itália está pronta para apoiar uma nova resolução "mais robusta" da ONU. "Não podemos ficar a olhar para dezenas de crianças a serem mortos tão brutalmente. Convém fazer qualquer coisa", declarou o ministro ao jornal "La Stampa". Para uma tal resolução, "o papel da China e sobretudo o da Rússia é crucial", referiu.
Giulio Terzi indicou que a Itália estava a enviar para a Jordânia um hospital de campanha que será instalado do outro lado da fronteira síria "numa zona para acolher até três mil refugiados".
