
A Rússia testou, esta terça-feira, um míssil balístico intercontinental com sucesso no dia em que Putin afirmou não descartar uma intervenção militar na Ucrânia. Os EUA acusam Moscovo de criar um pretexto para atacar.
O míssil RS-12M Topol foi lançado do sul de Astrakhan, junto ao Mar Cáspio, em direção ao Cazaquistão, tendo alcançado o alvo final com sucesso, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Yegorov, citado pela agência de notícias Interfax. Este míssil tem um alcance de 10 mil quilómetros e pode ser equipado com uma ogiva nuclear de 550 quilotoneladas.
O seu lançamento acontece em plena crise na Ucrânia, mas os EUA dizem não estar preocupados com este ensaio balístico. Um oficial americano referiu, à agência Reuters, que os EUA foram informados do teste muito antes da escalada de violência na Crimeia, no âmbito dos acordos bilaterais de armamento.
O teste balístico ocorreu no dia em que o presidente russo quebrou o silêncio sobre a situação na Crimeia. Aos jornalistas, Vladimir Putin sublinhou que ocorreu "um golpe de Estado" na Ucrânia e que Viktor Ianukovic (exilado na Rússia) é o legítimo chefe de Estado do país.
Embora tenha afirmado que "por agora" não há necessidade de enviar tropas para a Ucrânia, Putin reserva-se no direito de "usar todos os direitos disponíveis" para defender as populações do leste e do sul do país, maioritariamente de origem russa.
O secretário de Estado americano, que esteve em Kiev, garantiu que esses cidadãos "não estão em perigo" e que Moscovo apenas está "à procura de um pretexto para intervir na Ucrânia". John Kerry anunciou uma ajuda financeira de mil milhões de dólares à Ucrânia (cerca de 730 milhões de euros).
Também o presidente americano condenou Moscovo. Barack Obama reconheceu que "mesmo que a Rússia tenha interesses legítimos no que se passa no país vizinho, isso não lhe dá o direito de recorrer à força para exercer a sua influência no país".
No terreno, forças pró-Russia continuam a controlar a maioria dos equipamentos na Crimeia. Navios russos continuavam a bloquear o acesso ao estreito de Kerch, que separa a Crimeia da Rússia.
Na base aérea de Belbek, perto de Sebastopol, militares russos dispararam para o ar quando um grupo de cerca de 200 soldados ucranianos desarmados se aproximou para negociar.
