
Andriy Portnov foi morto em 21 de maio de 2025, em Madrid, Espanha.
Foto: Borja Sanchez-Trillo / EPA
Um ucraniano de 45 anos foi detido na cidade alemã de Heinsberg como suspeito do homicídio de Andriy Portnov, antigo conselheiro do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych, morto a tiro em frente a uma escola em Madrid em 2025.
Fontes próximas da investigação adiantaram esta quarta-feira à agência espanhola Efe que o suspeito já tinha sido identificado algum tempo antes da sua detenção.
Portnov foi baleado nas costas e na cabeça em 21 de maio de 2025, depois de deixar os filhos na Escola Americana. A Polícia procurava três pessoas envolvidas no crime, incluindo o atirador, que disparou pelo menos nove tiros e fugiu, de acordo com o número de invólucros das munições encontradas no local.
A Polícia Nacional anunciou em comunicado a detenção do suspeito do homicídio, que, de acordo com as investigações até ao momento, é considerado o autor dos disparos à entrada da escola. A investigação, conduzida pela Polícia Nacional, continua em aberto. Agentes do Grupo V de homicídios da Polícia de Madrid deslocaram-se à Alemanha para efetuar a detenção, com a colaboração do Grupo de Operações Especiais do Departamento Federal de Polícia Criminal da Alemanha.
Um mandado de detenção europeu e uma ordem europeia de investigação foram emitidos para busca na residência do suspeito, segundo a Polícia. O Tribunal de Instrução nº. 1 de Pozuelo de Alarcón, Madrid, está encarregue da investigação judicial do caso, que se encontra sob segredo de justiça.
Os investigadores procuravam desde maio do ano passado os responsáveis pela morte de Portnov, de 52 anos, que estava sob sanções dos EUA desde 2021 por influenciar os tribunais e minar as reformas no sistema judicial ucraniano quando era conselheiro jurídico do ex-presidente Viktor Yanukovych (2010-2014).
A hipótese dos agentes à data do crime era a de que o homicídio foi cometido por três pessoas, o atirador e dois cúmplices, que lhes terão facilitado a fuga das imediações da escola para o parque Casa de Campo, em Madrid, uma grande zona verde que liga a capital a Pozuelo de Alarcón.
Portnov foi atingido por vários tiros quando entrava no seu veículo, um Mercedes preto de luxo, depois de deixar os filhos na escola. O seu corpo foi encontrado pouco depois por alguém que alertou a polícia.
O ex-conselheiro de Yanukovych fugiu da Ucrânia juntamente com o próprio ex-presidente pró-Rússia em fevereiro de 2014, pressionado pelos manifestantes da chamada Revolução Maidan, que durante meses protestaram nas ruas contra a decisão do Governo de não assinar o Acordo de Associação com a União Europeia.
Era considerado por muitos o arquiteto das reformas judiciais de Yanukovych e, tal como o seu chefe e outros altos funcionários daquele Governo, Portnov foi acusado de traição.
No entanto, ao contrário deles, nunca foi condenado na Ucrânia, para onde regressou após a vitória do presidente Volodymyr Zelensky nas eleições de 2019.
