"Tenham coragem". Governador da Califórnia fala de reação "patética" da Europa a Trump

O governador da Califórnia, Gavin Newsom
Foto: Justin Sullivan/Getty Images via AFP
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a reação da Europa ao presidente norte-americano, Donald Trump, como patética e embaraçosa, apelando aos líderes europeus que se unam e enfrentem o Governo dos Estados Unidos.
"É tempo de levar isto a sério e pararem de ser cúmplices", disse Newsom aos jornalistas à margem do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.
Newsom disse aos europeus para resistirem às ameaças de tarifas feitas por Trump em relação ao apoio à Gronelândia. "Tenham coragem", disse Newsom.
O governador da Califórnia lamentou ainda o fosso entre o que os europeus dizem publicamente a Trump e o que dizem em privado entre si. "Este tipo está a fazer as pessoas de parvas. Quer dizer, toda a gente está a falar nas costas dele. Estão a rir-se dele e, ao mesmo tempo, estão a bajulá-lo", criticou Newson.
Hoje, em Davos, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que as relações entre os Estados Unidos e a Europa continuam fortes, pedindo aos parceiros para "respirarem fundo" e deixarem as tensões causadas pela Gronelândia.
No sábado, Trump anunciou uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre os produtos de oito nações europeias que se uniram em torno da Dinamarca, após o presidente norte-americano ter intensificado os apelos para que os Estados Unidos assumam o controlo do território semi-autónomo da Gronelândia.
Trump insiste que os EUA precisam do território por razões de segurança contra possíveis ameaças da China e da Rússia.
Scott Bessent afirmou que o pior que qualquer país pode fazer é intensificar as hostilidades contra os Estados Unidos. "O que o presidente Trump está a ameaçar em relação à Gronelândia é muito diferente dos outros acordos comerciais", disse. "Por isso, insto a todos os países a manterem os seus acordos comerciais", referiu o responsável norte-americano.
O encontro anual do Fórum Económico Mundial atrai executivos de empresas, académicos, filantropos e meios de comunicação social à cidade alpina suíça de Davos para incentivar o debate e as negociações.
Neste fórum, que teve início na segunda-feira e estende-se por toda a semana, espera-se que 850 presidentes e diretores executivos das principais empresas do mundo estejam entre os 3.000 participantes de 130 países na estância alpina de Davos.
A terceira participação de Trump no fórum ocorre quando os aliados dos Estados Unidos se preocupam com a sua ambição de anexar a Gronelândia e a América Latina enfrenta a ofensiva dos norte-americanos na exploração do petróleo na Venezuela.
Assim como os líderes empresariais e legisladores dos EUA expressam preocupação com as táticas agressivas do presidente norte-americano em relação ao presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.
