
Caracas possui as maiores reservas de petróleo conhecidas no Mundo.
Foto: Margioni Bermúdez/ AFP
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a Venezuela está a cooperar com os Estados Unidos, que deverão controlar o petróleo do país sul-americano por anos. Apesar dos protestos diplomáticos de Caracas, a chefe de Estado interina, Delcy Rodríguez, mostrou-se disposta a manter relações comerciais com Washington.
"Só o tempo o dirá" qual será a duração da gerência direta dos EUA sobre a Venezuela, declarou Trump na quarta-feira, durante uma entrevista ao periódico "The New York Times" (NYT), cujos jornalistas questionaram se isto significaria três meses, um semestre, um ano ou mais. "Diria que muito mais tempo", indicou o líder da Casa Branca no artigo publicado esta quinta-feira, justificando que a reconstrução do setor petrolífero venezuelano "vai demorar um pouco".
"Vamos reconstruí-lo de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente dele", acrescentou o presidente dos EUA.
Trump escreveu, na rede Truth Social, que o país sul-americano comprará "apenas produtos norte-americanos com o dinheiro que receberem do acordo de petróleo". "Estas compras vão incluir, entre outras coisas, produtos agrícolas americanos e medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos fabricados nos EUA para melhorar a rede elétrica e as instalações energéticas da Venezuela", publicou o magnata.
Ao NYT, o político republicano evitou discutir o que faria caso Caracas bloqueie o acesso ao petróleo, preferindo salientar a boa relação com o Governo interino de Delcy Rodríguez. "Estão a tratar-nos com muito respeito. Como sabem, estamos a dar-nos muito bem com a Administração atual", reconheceu o presidente norte-americano, acrescentando que o chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, "fala com ela o tempo todo".
"Estão a dar-nos tudo o que consideramos necessário", admitiu Trump. "Não se esqueçam, tiraram-nos o petróleo há anos", ressaltou o chefe de Estado dos EUA, numa referência a nacionalização do petróleo pelos Governos bolivarianos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
"Mancha" na relação
Delcy Rodríguez, por sua vez, condenou o ataque que resultou na captura do antecessor, mas manifestou-se disponível para negociar acordos comerciais. "Em primeiro lugar, devo dizer que existe uma mancha nas nossas relações que nunca ocorreu na nossa História, mas é também necessário realçar que não são extraordinárias nem irregulares as relações, por exemplo, as relações económicas e comerciais entre os EUA e a Venezuela."
"Não nos rendemos à agressão económica e não nos renderemos a qualquer tipo de agressão", frisou a líder venezuelana, citada pela estação pública Telesur. "As nossas mãos estão estendidas a todos os países do Mundo, para as relações, a cooperação económica, a cooperação comercial, a cooperação energética", enfatizou.
O discurso, na noite de quarta-feira, ocorreu após notícias de que os EUA querem o corte de relações comerciais da Venezuela com a China, a Rússia, o Irão e Cuba. Washington, que planeia comprar até 50 milhões de barris de petróleo, quer escoar o recurso energético acumulado no país desde que impôs um bloqueio a petroleiros, em dezembro.

