
Governo Trump enviou contingente de agentes do ICE maior que o número de polícias da região
Foto: Craig Lassig / EPA
Presidente norte-americano deprecia autarca de Minneapolis e senadores do Partido Republicano, além de não prestar solidariedade com congressista democrata agredida.
A mensagem de Donald Trump, de querer diminuir a tensão no Minnesota, onde agentes mascarados do serviço de imigração (ICE) estão há quase dois meses a realizar rusgas anti-imigrantes, não parece ecoar no terreno. Numa Minneapolis que viu dois residentes serem mortos a tiro, opositores do presidente continuam a sofrer ataques, tanto físicos quanto verbais, incluindo do líder da Casa Branca.
"Vamos tentar diminuir um pouco a tensão", disse esta terça-feira Trump ao canal Fox News, citando a chegada do chamado "czar das fronteiras", Tom Homan, ao Minnesota. A sinalização - que incluiu a retirada do comandante-geral da Patrulha de Fronteiras e de alguns agentes do ICE, além de telefonemas com autoridades locais e apelos da primeira-dama, Melania Trump - durou pouco.
O republicano acusou o autarca de Minneapolis, Jacob Frey, de "brincar com o fogo", uma vez que o democrata declarou, segundo Trump, que a cidade "não aplica e não aplicará as leis federais de imigração". O chefe de Estado não poupou críticas aos partidários Lisa Murkowski e Thom Tillis, acusando-os, em declarações à estação ABC News, de serem "perdedores" e "senadores terríveis". Ambos tinham criticado a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Ilhan Omar atingida por spray

Ataque a Ilhan Omar, na noite de terça-feira (Foto: Octavio Jones/AFP)
Trump não expressou cordialidade com a congressista Ilhan Omar, que na noite de terça-feira foi atingida por uma substância desconhecida pulverizada por um homem, durante um evento público em Minneapolis. "Acho que ela é uma fraude. Mas não penso muito nisso. Provavelmente, ela própria pulverizou-se com o spray, conhecendo-a", mentiu o presidente dos EUA.
"Não deixo que os bullies ganhem. Estou grata aos meus incríveis eleitores que se juntaram a mim", afirmou a parlamentar norte-americana democrata, que não ficou ferida. O suspeito, identificado como Anthony James Kazmierczak, de 55 anos, foi detido no local e indiciado.
Omar, há três décadas nos EUA, tem sido alvo da retórica do líder da Casa Branca contra imigrantes da Somália. Apesar disso, até republicanos se juntaram a vozes democratas e prestaram solidariedade com a congressista. "Por mais que discorde veementemente da sua retórica - e discordo mesmo -, nenhum membro eleito deveria sofrer ataques físicos", sublinhou a parlamentar Nancy Mace, partidária de Trump.
O ICE, por sua vez, continua a fazer rusgas e a provocar revolta, incluindo internacional. A diplomacia do Equador, cujo Governo é aliado de Trump, acusou um agente de tentar invadir o consulado em Minneapolis, na terça-feira de manhã, tendo sido os funcionários a impedir a entrada. E exigiu que "os mesmos atos" não se repitam.
Em destaque
Dois balearam Pretti
A agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras revelou, num documento enviado ao Congresso, que Alex Pretti, o enfermeiro morto pelo ICE no sábado - foi baleado por dois agentes. Os oficiais usaram pistolas Glock depois de o homem resistir a uma tentativa de detenção, que originou um confronto.
Sem deportação
Um juiz federal proibiu a deportação de Liam Ramos, de cinco anos, e do pai, Adrian Conejo Arias. Ambos foram detidos no Minnesota pelo ICE, na última semana, e transferidos para o Texas. O magistrado argumentou que os equatorianos chegaram ao país por um ponto de entrada autorizado e têm um pedido de asilo em análise.

