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As revelações de um ex-espião do KGB: Trump é um "ativo" da Rússia há mais de 40 anos

As revelações de um ex-espião do KGB: Trump é um "ativo" da Rússia há mais de 40 anos

Um novo livro sobre o ex-presidente dos EUA acrescenta mais uma camada à alegada e polémica relação de Donald Trump com altas figuras da Rússia. Um ex-espião do KGB garante que o empresário norte-americano foi um "alvo perfeito" para que Moscovo ganhasse poder.

No final dos anos 70, Donald Trump era um empresário em ascensão nos EUA e começou a chamar a atenção dos serviços de inteligência russos, nomeadamente na então Checoslováquia. O norte-americano tinha casado com a modelo checa Ivana Zelníčková e era um dos alvos perfeitos para o KGB, os serviços secretos da União Soviética. No livro "Kompromat Americano: Como o KGB cultivou Donald Trump e contos relacionados de sexo, ganância, poder e traição", publicado este mês e escrito pelo jornalista Craig Unger, traz novas revelações sobre a intrínseca relação, de mais de 40 anos, entre Trump e a Rússia. E tudo começa numa fonte: Yuri Shvets, ex-espião russo colocado em Washington nos anos 80 pela União Soviética.

Shvets começou a trabalhar na América como correspondente da agência russa de notícias Tass, durante 1980. Mais tarde, em 1993, mudou-se permanentemente para os Estados Unidos e conseguiu a cidadania norte-americana. Hoje, aos 67 anos, vive no estado da Virgínia e é ele que expõe a proximidade entre o presidente cessante dos Estados Unidos e Moscovo. Trump é "um exemplo de pessoas que foram recrutadas quando eram apenas estudantes e depois chegaram a posições importantes", contou ao jornal "The Guardian".

Para o KGB, na década de 80, Donald Trump era uma figura importante e fácil de manobrar. "Eles reuniram muita informação acerca da sua personalidade, sabiam como ele era pessoalmente. Havia a sensação de que ele era extremamente vulnerável, a nível intelectual e psicológico, era propício à adulação", descreve o ex-espião russo.

Após ter chamado a atenção aos serviços de inteligência russa na Checoslováquia, Trump abre no início da década de 80 o seu primeiro grande hotel, o Grand Hyatt, em Manhattan. Para equipá-lo, segundo Yuri Shvets, o empresário compra 200 televisões a Semyon Kislin, um emigrante soviético que era o coproprietário da eletrónica Joy-Lud. De acordo com Shvets, a empresa de eletrónica era controlada pelo KGB e Kislin era uma espécie de olheiro. Um dos alvos foi Donald Trump, na altura um jovem empresário que poderia ajudar Moscovo. "A sua vaidade e o narcisismo faziam dele um alvo natural para recrutar", esclarece Craig Unger, autor do novo livro, numa altura em que "os russos tentavam recrutar como loucos".

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No entanto, a "operação de charme" torna-se ainda mais pormenorizada. Em 1987, Donald Trump viaja com a esposa Ivana Zelníčková para São Petersburgo e Moscovo: é nesta viagem que contacta com vários agentes do KGB, que o elogiam e o incentivam a entrar na política. "Eles jogaram o jogo como se estivessem imensamente impressionados com a sua personalidade e acreditassem que este é o homem que um dia deveria ser o presidente dos Estados Unidos", recorda o ex-espião Shvets.

No regresso aos Estados Unidos, um Trump empolgado começa a explorar como pode ser indicado pelo Partido Republicano para uma corrida presidencial, algo que viria a acontecer em 2016, quando foi eleito presidente dos EUA. Como medida imediata, o empresário promove tomadas de posição políticas nos meios de comunicação social e na rua. Trump publica anúncios de página inteira no "The New York Times", "Washington Post" e "Boston Globe", onde aborda a política de defesa externa da América e questionava a participação do país na NATO e a relação com o Japão.

Na Rússia, a ação de Trump foi recebida com ânimo. Yuri Shvets recorda que quando estava em Moscovo recebeu um telegrama que rejubilava com a nova "contratação" do empresário norte-americano como um "ativo" do KGB. Terá sido assim durante mais de 40 anos, até ao momento em que Trump foi eleito - é ainda de recordar as suspeitas de interferência russa nas presidenciais de 2016. Contudo, Craig Unger não acredita que a intenção da Rússia fosse que Trump chegasse ao mais alto cargo dos EUA. Na altura, foi mais um ativo e não existia um "plano engenhoso" para que chegasse à presidência.

Para o livro foram ouvidas várias pessoas, entre "soviéticos que renunciaram à KGB e se mudaram para os Estados Unidos, ex-oficiais da CIA, agentes da contra espionagem do FBI, advogados" e analisados milhares de documentos e de notícias "em inglês, russo e ucraniano", descreve um texto de apresentação de "Kompromat Americano". Desta forma, espera o autor, será mais fácil entender "as operações kompromat [material comprometedor]" que "documentaram os segredos mais sombrios das pessoas mais poderosas do mundo e os transformaram em armas potentes".

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