Reino Unido

Ativista britânica que dormiu com agente infiltrado ganha caso em tribunal

Ativista britânica que dormiu com agente infiltrado ganha caso em tribunal

Decisão conhecida esta quinta-feira aponta para "falhas perturbadoras" na conduta policial. Em sete anos de trabalho como agente infiltrado, Mark Kennedy manteve relações sexuais com mais de dez mulheres, totalmente alheias à sua identidade.

A ativista ambiental Kate Wilson, que manteve uma relação de quase dois anos com um agente infiltrado, ganhou um processo em tribunal contra a polícia por violação dos diretos humanos.

A britânica, de 41 anos, conheceu Mark Stone em 2003, em Nottingham, enquanto o polícia se fazia passar por ativista ambiental. Um homem "carismático e romântico", com "os mesmos interesses e sonhos", descreveu, em declarações à BBC, confirmando que o "romance turbulento" do casal durou quase dois anos.

Em 2005, a britânica decidiu mudar-se para Espanha e a relação terminou, de forma amigável, embora Kate estivesse longe de saber que, anos depois, iria ser confrontada com a verdade. Só em 2010 teve conhecimento de que Mark Stone é, afinal, Mark Kennedy, um agente que a polícia metropolitana destacou para se infiltrar entre os ativistas. Aliás, durante a "missão", Mark manteve relações sexuais com mais dez mulheres, uma delas - conhecida como "Lisa" - durante seis anos, antes de encontrar, acidentalmente, o passaporte com o verdadeiro nome do "espião".

Revoltada, Kate Wilson pôs a Polícia Metropolitana de Londres e o Conselho de Polícia Nacional (responsáveis, em diferentes períodos, pelo trabalho de Kennedy) em tribunal por violação dos direitos humanos, do direito à privacidade e da liberdade de expressão.

Numa decisão anunciada esta quinta-feira, o tribunal concluiu que a polícia foi "extraordinariamente ingénua" ou "optou por fechar os olhos a uma conduta que, certamente, foi útil à operação". Além disso, considerou a inércia dos agentes "uma discriminação contra as mulheres" envolvidas sexualmente com Mark, apontando, assim, "falhas perturbadoras e lamentáveis" ao caso.

A diretora do Centro para a Justiça da Mulher, Harriet Wistrich, que chegou a trabalhar na defesa da ativista britânica, realçou que esta decisão "não podia ter acontecido num momento mais significativo, quando se ouvem os detalhes horrendos do homicídio de Sarah Everard por um polícia que tirou partido do seu estatuto para a prender".

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"O que será preciso mudar na cultura policial para que os recursos sejam usados para proteger as mulheres dos atos de violência e não contra elas?", questionou.

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