Afeganistão

Biden: "Não perdoamos, não esquecemos, vamos caçar-vos e fazer-vos pagar"

Biden: "Não perdoamos, não esquecemos, vamos caçar-vos e fazer-vos pagar"

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, prometeu esta quinta-feira "caçar e fazer pagar" os autores do duplo atentado bombista e do ataque armado junto ao aeroporto de Cabul, Afeganistão, atribuído ao grupo extremista Estado Islâmico (EI).

"Não esqueceremos, não perdoaremos e vamos caçar-vos e fazer-vos pagar", disse Joe Biden, depois de um momento emocionado em que relembrou a morte do filho, ele próprio um antigo combatente militar.

Num discurso transmitido ao final da tarde em Washington, Biden afirmou que os ataques desta tarde eram esperados, mas que isso não vai alterar a estratégia definida para a saída dos EUA do Afeganistão.

O líder do Comando Central dos Estados Unidos, general Kenneth McKenzie, confirmou hoje 12 mortes e 15 feridos nos ataques desta tarde em Cabul.

Um responsável do Ministério da Saúde do governo afegão afirmou à BBC que o número de feridos é de, pelo menos 140, e que há pelo menos 60 mortos resultantes dos ataques.

"Os terroristas atacaram, tal como prevíamos e temíamos, mataram militares no aeroporto e feriram um determinado número de civis, havendo também mortes", disse o Presidente norte-americano durante o discurso.

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Salientando que "a situação está em evolução, com atualizações constantes", Biden classificou os militares em Cabul, especialmente os que morreram hoje, de "heróis envolvidos numa missão difícil para salvar a vida de outros".

O presidente disse que nas últimas 12 horas, cerca de 7 mil pessoas saíram do país, das quais 5 mil são norte-americanos, num total de 104 mil desde o início da crise, em meados de agosto, e vincou que a resposta norte-americana aos ataques não vai vacilar.

"Vamos responder com precisão num momento à nossa escolha; vocês não vão ganhar, vamos salvar os americanos e os aliados afegãos, mas a missão vai continuar, não seremos intimidados, tenho toda a confiança que os militares vão continuar a missão", afirmou.

Já na parte das perguntas e respostas, Biden disse que "os talibãs não são boas pessoas" e explicou: "Eles agem pelos seus próprios interesses, de forma geral ninguém confia neles, contamos apenas no seu interesse próprio para continuarem a gerir as suas atividades, é no seu próprio interesse que as pessoas saiam".

Para Biden, "não há provas de que tenha havido um conluio entre o Estado Islâmico e os talibãs para levar a cabo o que se passou em frente ao aeroporto e em frente ao hotel, e ao que se espera que continue para além de hoje".

O Presidente acrescentou que "é muito possível que haja outro ataque", mas argumentou que as chefias políticas e militares consideram que isso não deve impedir que se mantenha a ponte aérea para retirar os norte-americanos e os aliados afegãos.

"Depois [de terça-feira, 31 de agosto] haverá várias oportunidades para dar acesso a mais pessoas para sair do país, seja através de meios que fornecemos ou que são dados em cooperação com os talibãs", acrescentou o chefe de Estado.

Questionado sobre as dificuldades que os norte-americanos e os aliados afegãos têm tido para conseguir sair do país mesmo com documentos válidos, Biden baixou as expectativas e admitiu que nem todos vão conseguir sair.

"Não há nenhum conflito em que, quando uma guerra acaba, um lado pode garantir que todos os que queriam sair conseguiram, há milhões de afegãos que não são talibãs e cooperaram connosco que se tivesse uma oportunidade para virem para os EUA, viriam amanhã mesmo; não se pode garantir que vamos tirar todos porque é preciso determinar quem e quantos são", argumentou Biden.

"Era altura de acabar uma guerra de há 20 anos", respondeu, quando questionado sobre como avalia o processo de saída do país, já depois de lembrar que o acordo de saída foi feito pelo seu antecessor, Donald Trump, em troca do fim dos ataques aos norte-americanos no país.

O ramo afegão do grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) reivindicou o atentado que hoje fez dezenas de mortos e feridos junto ao aeroporto de Cabul, para além de outro junto a hotel nas imediações do aeroporto e ainda outro em Cabul.

Segundo o general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), pelo menos 12 soldados norte-americanos morreram e 15 ficaram feridos no atentado que fez dezenas de vítimas, mas cujo total se desconhece ainda, variando o número de acordo com a fonte dos relatos.

A BBC, por exemplo, fala em 60 mortos e 140 feridos, citando um responsável do Ministério da Saúde do governo afegão.

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