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Bolsonaro, negacionista reincidente

Bolsonaro, negacionista reincidente

Presidente acusou o próprio ministro da Saúde de falta de humildade e de extrapolar função.

O governador do Rio de Janeiro julga que lidera uma ditadura e interdita as praias e o ministro da Saúde extravasa as competências e põe-se a dar recomendações sem o aval do presidente. Poderia ser argumento de banda desenhada, mas é a realidade do Brasil.

O presidente, Jair Bolsonaro, mantém uma trajetória errática na sua relação com a pandemia de coronavírus. Depois de, há dois dias, parecer render-se à ciência - e, sobretudo, à pressão política de todos os quadrantes, até do próprio círculo - e reconhecer que a crise é grave ("O maior desafio da geração"), voltou atrás e escarneceu de Wilson Witzel por decretar o confinamento aos cariocas. "Banir pessoas das praias, meu Deus! Praias são ao ar livre! Não há problema nenhum em ir lá".

Horas depois, a vítima era Luiz Henrique Mandetta, o seu ministro da Saúde, que se tem esforçado por misturar ciência e cuidado político para informar o Brasil sobre a situação sanitária. Falta-lhe "humildade", acha Bolsonaro, "O Mandetta quer fazer muito a vontade dele. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser. Mas está faltando um pouco de humildade para ele", acusa Bolsonaro. "Extrapolou". Tem que "ouvir mais o presidente".

"Não se comenta o presidente", reagiu Mandetta, tático, dizendo que não tem mandato popular para falar e só lhe compete trabalhar. O país, com quase 9000 casos diagnosticados, multiplica mortos, havendo até notícia de centenas deles à espera de serem testados para confirmar a razão do óbito. Um aumento que levou já as autoridades de S. Paulo a ampliar o espaço do cemitério de Vila Formosa - mais uma constatação fotografada que foi considerada falsa pelo presidente.

A guerrilha do presidente estende-se ao Congresso e aos tribunais, que o têm sucessivamente desautorizado nas suas tentativas de contrariar as medidas locais de isolamento e de fecho de serviços. Ao ponto de Ciro Gomes, um dos maiores opositores, afirmar que a única forma de salvar vidas passa por uma "campanha de desobediência civil".

E a verdade é que uma sondagem de ontem atribui 76% de aprovação ao trabalho de Mandetta.

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