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Bombista de Liverpool converteu-se ao cristianismo e aguardava asilo

Bombista de Liverpool converteu-se ao cristianismo e aguardava asilo

Polícia britânica identificou Emad Al Swealmeen, de 32 anos, como o passageiro que morreu ao fazer explodir um táxi na cidade inglesa de Liverpool. Autoridades localizaram a casa do suspeito que está agora "no centro da investigação".

As autoridades identificaram o bombista suspeito do ataque como Emad Al Swealmeen. O homem de 32 anos, morto na explosão, converteu-se ao cristianismo há quatro anos, altura em que se mudou e pediu asilo em Inglaterra. Teria ascendência síria e iraquiana.

De acordo com a polícia britânica, foram encontradas "provas importantes" em casa do suspeito, na Rutland Avenue, perto do Sefton Park, no sudeste da cidade de Liverpool, agora "o centro da investigação", segundo explicou Russ Jackson, chefe da Polícia de Contraterrorismo no noroeste de Inglaterra.

Foi da casa de Rutland Avenue que Al Swealmeen apanhou o táxi para o Liverpool Women's Hospital, antes da explosão. "Fizemos um progresso significativo desde a manhã de domingo e temos uma compreensão muito maior de todas as partes do dispositivo, como foram obtidas e como provavelmente foram montadas", explicou Russ Jackson.

O ministro da Segurança, Damian Hinds, não afastou a hipótese de haver mais envolvidos no ataque. "Existe sempre a possibilidade de outras ligações serem detetadas. Às vezes fala-se de lobos solitários, mas as pessoas raramente estão totalmente sozinhas, porque falam com outras... Temos de reservar tempo e espaço para a polícia fazer investigação", disse, em declarações à cadeia britânica BBC.

Uma outra residência na qual a polícia acredita que Al Swealmeen viveu anteriormente faz também parte da investigação.

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Após interrogatório, a polícia libertou quatro homens detidos domingo, no âmbito da investigação.

Catedral seria o alvo

O motorista do táxi David Perry escapou do atentado com ferimentos ligeiros e já teve alta hospitalar. As autoridades da cidade e os jornais descreverem-no com o "taxista herói" que trancou o suspeito no interior do carro ao desconfiar das suas intenções.

Emad Al Swealmeen pretendia ir à missa anual do Dia da Memória, na catedral anglicana do noroeste da cidade, onde se encontravam cerca de duas mil pessoas.

O encerramento das estradas obrigou o táxi a desviar-se e a viagem acabou junto ao hospital vizinho, onde a bomba explodiu.

"Parece que o taxista em questão se comportou com incrível presença de espírito e bravura", disse o primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, aos repórteres em Londres na segunda-feira, sem querer adiantar muitos pormenores sobre o caso.

Após a conversão ao cristianismo, Al Swealmeen foi acolhido na casa dos voluntários cristãos Elizabeth e Malcolm Hitchcott.

Segundo contou Malcolm Hitchcott ao canal de televisão inglês ITV News, Al Swealmeen viajou do Médio Oriente e pediu asilo a Inglaterra. Converteu-se formalmente ao cristianismo numa cerimónia na catedral anglicana de Liverpool, supostamente o alvo do ataque de domingo.

"Foi à catedral pela primeira vez em agosto de 2015 e queria converter-se ao cristianismo. Fez um curso Alpha, que explica a fé cristã, que concluiu em novembro daquele ano. Tal permitiu que tomasse uma decisão informada e mudou do islamismo para o cristianismo. Foi confirmado como cristão até março de 2017, pouco antes de vir morar connosco. Estava desamparado e nós acolhemo-los", recordou Malcolm Hitchcott, ao jornal britânico "Daily Mail".

Al-Swealmeen mudou o nome para Enzo Almeni, em homenagem à lenda do automobilismo italiano Enzo Ferrari, para soar mais ocidental no pedido de asilo, reprovado em 2014, disse, ainda, Hitchcott.

Há uns anos, Al Swealmeen teve acompanhado psiquiátrico durante cerca de seis meses, por causa de comportamento com facas, acrescentou Malcolm Hitchcott.

Elizabeth Hitchcott confessou estar "muito triste e chocada" com o incidente de domingo. "Era um tipo adorável", disse.

Nível de alerta subiu

O nível de alerta para o terrorismo no Reino Unido subiu na sequência do ataque bombista de domingo, indicando que outros ataques são altamente prováveis.

O grau de risco passou assim de "substancial" para "grave", o segundo numa escala de cinco, decidiu o Centro de Análise de Terrorismo Conjunto, organismo formado por elementos da polícia, serviços de informação e governo.

A decisão teve em conta outros dois incidentes terroristas no mês passado, "refletindo a natureza diversa, complexa e volátil da ameaça terrorista no Reino Unido", indica um comunicado.

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