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Chefe de diplomacia europeia diz que "Rússia está a isolar os seus cidadãos"

Chefe de diplomacia europeia diz que "Rússia está a isolar os seus cidadãos"

Joseph Borrell, alto representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, disse, esta terça-feira, que os canais de comunicação russos estavam "a preparar o terreno" antes da invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro.

O chefe de diplomacia da UE afirmou aos eurodeputados, durante um debate sobre a interferência estrangeira nos processos democráticos da Europa, em Estrasburgo, que "a Rússia está a isolar os seus cidadãos da informação que vem do Mundo".

Borrell referiu que o Kremlin está a propagar informação falsa na Rússia, nomeadamente a acusação de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está a praticar um genocídio contra os próprios ucranianos, é "um fantoche do Ocidente" e de que a Europa discrimina os russos.

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"Estão a contaminar as mentes e os espíritos dos russos", apontou. O alto representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança diz que as instituições europeias estão "contra o regime russo e não contra o povo russo".

Věra Jourová, comissária europeia responsável pela pasta dos Valores e Transparência, revelou que o código de conduta contra a desinformação da União Europeia vai ser reforçado. Poderão também ser agravadas as sanções às plataformas digitais que não cumpram as regras.

Criado em abril de 2018, o código de conduta foi subscrito pelas principais plataformas online, como o Facebook, a Google ou o Twitter. "Estamos em contacto regular com os signatários", adiantou.

"Russos não podem continuar entretidos"

A comissária saudou a posição tomada pelo serviço de streaming Netflix, que suspendeu as operações na Rússia esta segunda-feira. "Os russos não podem continuar entretidos, enquanto os ucranianos estão ser mortos", defendeu perante os eurodeputados.

Jourová anunciou também a intenção da Comissão Europeia em propor nova legislação para apoiar os meios de comunicação social independentes. Aquele órgão da UE está a trabalhar na proposta até ao final de abril, podendo a lei ser adotada já em julho.

Tanto Borrell como Jourová afirmaram que há peritos na União Europeia a trabalhar na questão da desinformação e a reforçar a proteção contra ciberataques.

Sandra Kalniete, eurodeputada da Letónia e redatora do relatório sobre a ingerência estrangeira nos processos democráticos da UE, afirmou no início do debate que é "inaceitável que as plataformas estrangeiras tenham dados europeus" e os vendam para fins propagandísticos e de desinformação.

A deputada do grupo político dos democratas-cristãos no Parlamento Europeu salientou ser importante incentivar a literacia digital junto dos mais jovens. "A resiliência das nossas sociedades contra a desinformação é fundamental", concluiu.

Manipulação como "semente" da guerra

Marisa Matias, eurodeputada portuguesa que interveio pelo grupo político da Esquerda no Parlamento Europeu, afirmou que o relatório deveria ter a "ambição de ir mais além".

Ainda assim, a esquerda em Estrasburgo não votará contra o documento. "A desinformação da Rússia e da China são bem reais, mas entendamos que há esquemas disponíveis cá dentro [Europa]", afirmou.

Também a eurodeputada Isabel dos Santos, do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, disse ser necessário criar uma lista com diretrizes para acabar com a "opacidade do financiamento dos partidos políticos".

Já Paulo Rangel do grupo dos democratas-cristãos no Parlamento Europeu salientou ser necessário criar mecanismos de ciberdefesa. "Mesmo antes da guerra, vemos como a manipulação da informação são o pasto e a semente para uma guerra de agressão", sublinhou.

O relatório sobre a ingerência estrangeira será submetido à votação final pelos eurodeputados ao início da tarde desta quarta-feira, em Estrasburgo, França.

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