Rússia

Depois do envenenamento, Navalny foi detido em Moscovo

Depois do envenenamento, Navalny foi detido em Moscovo

Alexei Navalny viajou este domingo de Berlim, onde estava a convalescer após um alegado envenenamento com um agente neurotóxico, rumo a Moscovo. O líder da oposição russa foi detido à chegada ao aeroporto.

A informação está a ser avançada pela AFP, que tem um jornalista a acompanhar a chegada de Navalny a Moscovo. A porta-voz do opositor russo Kira Yarmysh já confirmou no Twitter a detenção e adiantou que foi "levado por polícias" sem que explicações tivessem sido dadas. O voo onde viajava foi desviado para outro aeroporto de Moscovo, de forma a que simpatizantes e jornalistas não recebessem Navalny.

"Vou ser preso? É impossível, estou inocente", disse Alexei Navalny, aos jornalistas a bordo do avião com destino à capital russa. Ao embarcar no avião, o opositor agradeceu novamente à Alemanha por ter organizado o seu tratamento hospitalar e o período de convalescença.

"Quero expressar um grande obrigado, obrigado a todos, espero que corra tudo bem, hoje estou muito feliz", disse Navalny, citado pela agência France-Presse (AFP), após ter sido escoltado para o avião, na companhia da sua mulher, Ioulia, pela polícia alemã, por motivos de segurança.

Alexei Navalny, de 44 anos, chegou a Moscovo, vindo de Berlim, no voo DP936 da companhia aérea Pobeda (Vitória, em russo), cuja chegada estava prevista para as 19.20 horas locais (16.20 horas em Portugal continental). Segundo avançou a rádio Eco de Moscovo, agentes da polícia russa detiveram este domingo, em São Petersburgo, vários ativistas que iam receber Navalny.

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A France Presse noticiou entretanto que foram também feitas detenções no aeroporto de Moscovo, envolvendo apoiantes como o jurista Alexeï Molokoiedov, a assistentes de Navalny, Ilia Pakhomov, e a diretora de campanha, Anastasia Kadetova.

O líder da oposição ao Kremlin (Presidência russa) regressa à Rússia depois de quase cinco meses de tratamento médico na Alemanha, após ter sido envenenado com uma substância tóxica de uso militar, ato que segundo o ativista foi ordenado pelo Presidente russo, Vladimir Putin. Navalny é alvo de uma ordem de busca e captura, pelo que poderá ser detido a qualquer momento.

A ordem de detenção foi avançada pelo Serviço Federal de Prisões da Rússia, que solicitou à justiça russa a ida de Alexei Navalny para a prisão para cumprir uma pena suspensa de 3,5 anos a que foi condenado em 2014, um juízo considerado "arbitrário" em 2017 pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Em 20 de agosto de 2020, Navalny sentiu-se mal e desmaiou durante um voo doméstico na Rússia e foi transportado dois dias depois em coma para a Alemanha para ser tratado.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, assim como a Organização para a Proibição de Armas Químicas, demonstraram que esteve exposto a um agente neurotóxico, do tipo Novichok, da era soviética.

As autoridades russas têm rejeitado todas as acusações de envolvimento no envenenamento.

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