Manifestação

Dezenas de milhares de pessoas em protesto pelo clima na Europa e na Ásia

Dezenas de milhares de pessoas em protesto pelo clima na Europa e na Ásia

Dezenas de milhares de manifestantes protestaram esta sexta-feira contra o aquecimento global, principalmente na Europa e na Ásia, no âmbito de mais uma jornada de mobilização global, antes da cimeira climática da ONU que arranca segunda-feira em Madrid.

Cerca de 630 mil pessoas manifestaram-se em mais de 500 cidades da Alemanha, anunciando o movimento "Fridays for Future", inspirado na jovem ativista sueca.

Greta Thunberg, que está a viajar pelo Atlântico num veleiro para participar nas conversações pelo clima, publicou uma mensagem de apoio aos manifestantes.

"Todos são precisos. Todos são bem-vindos. Junta-te a nós", escreveu na rede social Twitter, a poucos dias de desembarcar em Lisboa, de onde seguirá para a Cimeira das Nações sobre o Clima, em Madrid (COP25).

Empunhando cartazes onde se podia ler "Um planeta, um combate" ou "Faremos greve até agirem", milhares de jovens concentraram-se junto à emblemática Porta de Brandeburgo, em Berlim.

Em Hamburgo, cidade do norte da Alemanha, manifestaram-se cerca de 30 mil, em Munique, no sul, os números ascenderam a 17.000, segundo a polícia.

Outras ações de protesto fizeram-se sentir na Europa, mas numa amplitude inferior à mobilização de setembro.

Na Alemanha, foram cerca de 1,4 milhões de manifestantes, enquanto no mundo foram mais de quatro milhões.

Em vários lugares, a mobilização climática acabou por fundir-se com o movimento anti-consumo, no dia que se realiza o 'Balck Friday', que é marcado com uma corrida às compras com saldos.

Em França, os ativistas protestaram contra as vendas do 'Black Friday', tendo alguns centros de distribuição da gigante norte-americana Amazon sido bloqueados, nos arredores de Paris, como também em Lyon e Lille.

No Canadá e nos Estados Unidos da América a participação nos protestos contra as alterações climáticas foram residuais, após o dia de Ação de Graças norte-americano: 50 pessoas em Washington, uma centena em Nova Iorque.

As escolas norte-americanas estão fechadas e muitos dos estudantes estão a passar um fim de semana prolongado com as famílias.

"Precisamos de continuar a manifestar-nos", afirmou um dos participantes no protesto em Washington, Frank Fritxz, de 24 anos.

"O problema não irá desaparecer se não agirmos", salientou.

A polícia nova-iorquina deteve 23 manifestantes anti-consumo frente às lojas Macy's.

Em Montreal, as associações de defesa do ambiente como Extinction Rebellion organizaram um encontro ao ar livre onde distribuíram gratuitamente roupas usadas, denunciando os excessos do 'Black Friday'.

Os protestos começaram na Austrália, onde as pessoas afetadas recentemente pelos devastadores incêndios florestais se juntaram a jovens ambientalistas, protestando contra a postura pró-carvão do governo.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, alvo dos manifestantes, rejeitou de forma colérica contra qualquer ligação entre os incêndios que assolam o país e as mudanças climáticas. O seu Governo é um forte defensor da poderosa e lucrativa indústria de mineração australiana.

"A inação do nosso governo no que respeita a crise climática amplificou os incêndios", afirmou Shiann Broderick, um manifestante responsável pelo movimento de greve nas escolas.

Na Índia, em Deli, a capital mais poluída do mundo, cerca de 50 estudantes manifestaram-se frente ao ministério do Ambiente, apelando ao governo para que declare "estado de emergência climática".

A Índia é um dos principais emissores de gases de efeito de estufa e tem 14 das 15 cidades mais poluídas do mundo.

Em Tóquio, centenas de manifestantes desfilaram no distrito comercial de Shinjuku.

Cerca de 200 países signatários do acordo de Paris de 2015 reunir-se-ão em Madrid a partir de segunda-feira, por 12 dias.

A reunião promete ser complicada, com o objetivo de incentivar os países signatários a rever seus compromissos para reduzir as emissões até ao final de 2020.

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