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EMA autoriza novo método para administrar vacina contra a monkeypox

EMA autoriza novo método para administrar vacina contra a monkeypox

A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) aprovou, esta sexta-feira, a administração da vacina Imvanex de forma intradérmica (na pele). Até ao momento, a vacina estava apenas autorizada para injeção subcutânea (debaixo da pele). Como o novo método, será possível imunizar mais pessoas contra a também chamada varíola dos macacos.

O regulador europeu explica, em comunicado, que dado o "fornecimento atualmente limitado da vacina", uma dose mais pequena da Imvanex pode ser administrada, numa injeção intradérmica, para travar a disseminação da monkeypox.

Na semana passada, a agência americana do medicamento (FDA, na sigla em inglês) tinham autorizado este novo método, devido à carência de doses no país. A técnica, apontaram os responsáveis da FDA, permite quintuplicar a disponibilidade.

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A task-force de emergência da EMA reuniu dados de uma análise com 500 adultos, onde comparou a administração da vacina de forma subcutânea ou intradérmica. Em ambos os métodos, foram dadas duas doses com um intervalo de quatro semanas.

"As pessoas que receberam a vacina por via intradérmica receberam um quinto (0,1 ml) da dose subcutânea (0,5 ml), mas produziram níveis semelhantes de anticorpos aos que receberam a dose subcutânea mais alta", lê-se na nota de imprensa.

Margarida Tavares, responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS) pela estratégia de combate à monkeypox, afirmou ao JN que a decisão favorável da EMA ao novo método iria ajudar a implementar a vacinação preventiva (antes da exposição ao risco) em Portugal. Neste momento, apenas quem for um contacto próximo de um caso confirmado está elegível para a vacinação.

Cuidados para otimizar doses

A médica infecciologista adiantou que a autoridade de saúde estava a preparar mudanças nas regras da vacinação e admitiu estar prevista a definição de "critérios muitos objetivos" para a elegibilidade, como ter tido uma infeção sexualmente transmissível nos últimos seis meses.

Foram disponibilizadas 2700 vacinas da Imvanex para Portugal pela Comissão Europeia, um número baixo para imunizar os grupos de maior risco à monkeypox, revelou Margarida Tavares.

A EMA aponta que "não há informação disponível" sobre o número máximo de doses de 0,1 ml que pode ser extraída de uma dose de 0,5 ml, mas tudo indica que o máximo é de cinco doses. Por se tratar de doses muito reduzidas, o regulador recomenda o uso de seringas pequenas, para "otimizar o maior número de doses extraídas".

Outras das recomendações passa pela administração da vacina por "apenas profissionais de saúde com experiência em dar injeções intradérmicas".

Mais de 800 casos em Portugal

Os especialistas do regulador consideram que "as autoridades nacionais podem decidir usar a injeção intradérmica da Imvanex como uma medida temporária", para proteger pessoas de risco durante o surto de monkeypox e "enquanto o fornecimento de vacinas estiver limitado".

Desde 16 de julho e até 13 de agosto, foram vacinados 215 contactos em Portugal. "Continuam a ser identificados e orientados para vacinação os contactos elegíveis nas diferentes regiões", aponta a DGS em comunicado sobre a evolução da monkeypox no país.

Foram registados 810 casos confirmados até 17 de agosto em Portugal. A maior parte tem entre 30 e 39 anos e são do sexo masculino (723 casos).

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