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EUA querem acreditar na Rússia, mas alertam que indícios apontam para invasão

EUA querem acreditar na Rússia, mas alertam que indícios apontam para invasão

A embaixadora dos EUA na ONU disse segunda-feira que "deseja acreditar" que Moscovo não tem planos para invadir a Ucrânia, mas alertou que até agora as indicações dadas pela Rússia apontam "movimentos nessa direção".

"Desejo que seja verdade que eles não têm planos. Mas tudo o que vimos até agora indica que eles estão a fazer movimentos nessa direção", salientou Linda Thomas-Greenfield, quando questionada sobre se acredita nas palavras de Moscovo, que reiterou hoje não ter "qualquer intenção de atacar" o país vizinho.

A diplomata vincou que os EUA e os aliados continuam a preparar-se e a planear uma resposta caso Moscovo "tome alguma medida contra a Ucrânia". Mas referiu que será "uma coisa boa" caso a Rússia decida não avançar com uma invasão devido ao envolvimento dos EUA "ao longo das últimas semanas", inclusive com conversas entre o Presidente norte-americano Joe Biden e o homólogo Vladimir Putin.

Para Linda Thomas-Greenfield, o objetivo continua a ser "encontrar um caminho diplomático e evitar conflitos" mas o progresso das conversações com a Rússia só pode acontecer dentro de um contexto de desescalada.

"Nos próximos dias, os Estados Unidos continuarão a fazer todos os esforços para diminuir a escalada, dialogar e resolver diplomaticamente a situação", frisou, citada numa nota de imprensa.

Caso a Rússia escolha "o caminho do conflito", os EUA e os aliados estão preparados para impor enormes custos à economia russa, reforçar a presença da NATO nos estados aliados da linha de frente e aumentar a assistência defensiva à Ucrânia, assegurou.

Negociadores da Rússia e dos EUA abordaram, esta segunda-feira, em Genebra a situação na Ucrânia, com Moscovo a assegurar não ter "qualquer intenção de atacar" o país vizinho e Washington a reiterar advertências sobre uma eventual invasão.

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O negociador russo assegurou ainda não existir "qualquer razão para recear uma escalada da situação nesse plano". Mas Riabkov também indicou que Washington não deve "subestimar" o risco de um confronto, e assegurou que os norte-americanos "levam muito a sério" os avisos emitidos por Moscovo, em particular sobre as consequências de um eventual alargamento da NATO em direção a leste.

Já a vice-secretária de Estado norte-americana, Wendy Sherman, presente nas discussões, indicou por sua vez que a Rússia não forneceu resposta ao pedido dos EUA de "desescalada" na fronteira ucraniana.

A escalada militar russa na fronteira com a Ucrânia será discutida novamente esta semana em reunião da Rússia com a Aliança Atlântica em Bruxelas na quarta-feira e na reunião do Conselho Permanente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, na quinta-feira.

No domingo, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, alertou também a Rússia para o risco de "confronto".

Os ocidentais antecipam uma possível invasão russa do território ucraniano, como a de 2014 que culminou na anexação da península da Crimeia.

A Rússia reclama um compromisso da NATO de não integrar a Ucrânia na aliança militar, o que Blinken assinalou não estar em cima da mesa.

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