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Gabriel Boric, o mais novo presidente da história do Chile

Gabriel Boric, o mais novo presidente da história do Chile

Proveniente do extremo sul do país, o Congressista Gabriel Boric, de 35 anos, foi eleito presidente do Chile no domingo. Será o líder mais jovem da história chilena.

Gabriel Boric, antigo líder estudantil, é o rosto da maioria da sociedade chilena (cerca de 55%) que lhe deu a vitória nas presidenciais e que deseja mudanças profundas no país.

Nascido na cidade de Punta Arenas, no seio de uma família de classe média, Boric é o mais velho de três irmãos e sempre ambicionou mudar o mundo. Aos 18 anos, foi viver para Santiago para estudar Direito na Universidade do Chile, embora não tenha concluído o ciclo de estudos, acabando por se tornar deputado.

Como candidato, o latino-americano sempre defendeu uma reestruturação na educação, na saúde e nas pensões, tendo como principal objetivo a transformação do país num Estado de bem-estar social. Boric tem ainda como grandes prioridades a defesa do ambiente e do feminismo, frisando que quer garantir que todos tenham os mesmos direitos, independentemente das possibilidades financeiras.

Durante o último mês, endureceu o discurso contra o tráfico de droga e o crime organizado, uma das muitas preocupações dos chilenos. Entre outras medidas, o programa que apresentou inclui ainda uma reforma estrutural na força policial chilena, que passa por dar prioridade à defesa dos direitos humanos.

O objetivo do novo presidente, que também tem sangue europeu, é avançar em direção a uma sociedade social-democrata, onde o Estado desempenha um papel de destaque na garantia dos direitos básicos dos cidadãos.

Depois de derrotar José Antonio Kast, o esquerdista enfrenta agora vários desafios na liderança de um país que se carateriza pelas desigualdades sociais, situação que se agravou depois da crise económica causada pelas restrições sanitárias associadas à pandemia de covid-19.

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Sem medo das críticas

O percurso até à vitória não foi fácil. Ao longo da campanha eleitoral foi visto como um alvo a abater pela oposição, que o acusou de não ter maturidade para ser presidente. As críticas intensificaram-se depois de Boric alcançar uma aliança com os comunistas, o que lhe valeu o título de "extremista".

Por outro lado, também uma grande fatia do setor empresarial se tem mostrado relutante em relação ao político. As ideias para alavancar a economia e os laços políticos que tem vindo a criar, fazem com que este grupo tema as consequências financeiras da liderança de Boric.

Mas o Congressista mostra-se imune às críticas e apelou a que "a esperança vença o medo". No discurso de encerramento da campanha eleitoral voltou a frisar a necessidade de assegurar um país que tem como prioridade a melhoria dos direitos básicos, após seguir, ao longo de mais de 30 anos, o modelo neoliberal imposto durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Ao longo dos anos alicerçou um percurso marcado pela luta dos ideais que defende, e mesmo perante um país inundado de problemas, Boric tem mostrado que não tem medo de mudar de direção. Durante os quase sete meses de campanha, o político repescou a veia rebelde que fez com que em 2011 liderasse os protestos estudantis que apelaram a uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Embora diga que tem muito a aprender, garante que quer aproveitar a experiência de ex-presidentes, entre eles os socialistas Ricardo Lagos (2000-2006) e Michelle Bachelet (2006-2010; 2014-2018).

Boric venceu as eleições mais incertas desde o regresso da democracia ao país sul-americano, e pela primeira vez desde 1990 apresentaram-se à segunda volta dois candidatos estranhos aos partidos tradicionais de centro-esquerda, com programas antagónicos nas áreas económica e social.

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