Ambiente

Governo brasileiro lança plano de combate à desflorestação ilegal na Amazónia

Governo brasileiro lança plano de combate à desflorestação ilegal na Amazónia

O ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, anunciou esta quarta-feira o lançamento de um plano nacional de combate à desflorestação na Amazónia, após um aumento de 29,5% entre agosto de 2018 e julho último naquela região.

Segundo aquele ministério, o plano contra a desflorestação assenta em cinco eixos principais: "regularização fundiária; zonamento ecológico-económico; pagamento por serviços ambientais; bioeconomia; e tolerância zero contra a desflorestação ilegal".

Salles defende que a "regularização fundiária" é uma forma de diminuir os conflitos ambientais naquela região, como a ocupação irregular de terrenos.

De acordo com o governante, as ações podem ser financiadas pelo fundo da Operação Lava Jato, que direcionou 430 milhões de reais (93 milhões de euros) para os estados lutarem pela preservação da Amazónia.

O Fundo da Lava Jato, maior operação contra a corrupção no Brasil, é resultado de negociações para encerrar investigações sobre a Petrobras nos Estados Unidos, devido a desvios na petrolífera estatal brasileira, que teriam prejudicado investidores norte-americanos.

A apresentação do plano surgiu após uma reunião, na manhã desta quarta-feira, entre Ricardo Salles e os governadores dos nove estados que integram a Amazónia brasileira, que visou o debate de medidas para promover o desenvolvimento sustentável da região, além do combate aos crimes ambientais.

Segundo o ministro, a soma de esforços de várias entidades passa ainda pela inclusão das populações locais no processo, para que possam ter oportunidades de emprego e de criação de rendimentos, de forma a terem condições de colaborar com a preservação.

"Essa questão tem direta relação com a vocação dos estados e com a ideia de inclusão para preservar: a inclusão das pessoas, das famílias e daqueles que vivem na região mais rica do país com o pior índice de desenvolvimento humano", declarou Salles, citado pela pasta do Ambiente.

A taxa de desflorestação da Amazónia brasileira aumentou 29,5% entre agosto de 2018 e julho de 2019, em comparação com o período homólogo anterior, segundo dados divulgados na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O organismo ligado ao Governo brasileiro informou que, naquele período, a maior floresta tropical do mundo perdeu 9.762 quilómetros quadrados de sua cobertura vegetal, atingindo o maior nível de desflorestação registados no país desde 2008.

Porém, o ministro do Meio Ambiente não relevou um prazo final para a apresentação de resultados contra os crimes ambientais.

Após o anúncio do novo plano contra a desflorestação, a organização não-governamental (ONG) Greenpeace classificou o projeto como vago.

"Diante do desafio de deter a desflorestação, o ministro do Meio Ambiente apresenta propostas vagas para lidar com o problema. O combate à desflorestação requer metas mais claras e ambiciosas, com ações efetivas", escreveu a ONG na rede social Twitter, criticando as ações do Governo.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, causou esta quarta-feira polémica ao declarar que os incêndios e a desflorestação de matas e florestas não vão acabar, porque fazem parte da cultura do país.

"Você não vai acabar com a desflorestação, nem com queimadas, é cultural", afirmou Jair Bolsonaro à saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, residência oficial do Presidente brasileiro.