Perguntas e respostas

Guia para perceber o caso "Luanda Leaks" e o universo Isabel dos Santos

Guia para perceber o caso "Luanda Leaks" e o universo Isabel dos Santos

Uma investigação jornalística divulgada no domingo colocou a empresária angolana Isabel dos Santos debaixo de fogo. Perceba o que está em causa.

O que é o "Luanda Leaks"?

É o resultado de uma investigação jornalística a alegados esquemas de enriquecimento de Isabel dos Santos, filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e o marido, o empresário congolês Sindika Dokolo, por um consórcio internacional de jornalistas, a partir de cerca de 715 mil ficheiros obtidos através de uma organização de proteção de denunciantes em África.

Como foi feita a investigação?

Durante oito meses, jornalistas de 34 órgãos de informação de vários países, incluindo os portugueses "Expresso" e SIC, que cooperam através do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ), analisaram 356 gigabytes de dados que somam os documentos sobre os negócios de Isabel dos Santos entre 1980 e 2018.

Qual é o universo de Isabel dos Santos?

O consórcio identificou quatro centenas de empresas às quais Isabel dos Santos está ou esteve ligada nos últimos 30 anos, incluindo 155 portuguesas e 99 angolanas. No final de 2019, detinha ou participava em 169 sociedades em 22 países, com Angola (81) e Portugal (22) à frente. A maior parte (87) é da área financeira, seguindo-se o consumo (26) e as telecomunicações (13).

O que revelou a investigação?

Entre outras revelações, destaca-se um esquema de desvio de 115 milhões de dólares da petrolífera estatal Sonangol (de que foi presidente) para uma conta sua no Dubai e o esvaziamento de todo o saldo da companhia numa conta do EuroBic Lisboa (do qual é a principal acionista) no dia seguinte à sua demissão.

Quem são os portugueses envolvidos?

Os dados indicam quatro portugueses alegadamente envolvidos nos esquemas financeiros: Paula Oliveira (administradora não-executiva da NOS e diretora de uma empresa offshore no Dubai), Mário Leite da Silva (CEO da Fidequity, empresa com sede em Lisboa detida por Isabel dos Santos e o seu marido), o advogado Jorge Brito Pereira e Sarju Raikundalia (administrador financeiro da Sonangol).

De que é acusada em Angola?

Em 31 de dezembro, o Tribunal de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais detém participações, à ordem de um processo sobre negócios com o Estado angolano através das empresas públicas Sodiam (diamantes) e Sonangol (petróleos), lesando-o em mais de mil milhões de dólares.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG