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Hong Kong adia eleições, não aponta data e oposição contesta

Hong Kong adia eleições, não aponta data e oposição contesta

A chefe do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou que as eleições legislativas, marcadas para o dia 6 de setembro, vão ser adiadas devido ao "agravamento da pandemia" de covid-19 na região.

"É a decisão mais difícil que tomei nos últimos sete meses, mas temos de garantir a segurança das pessoas e que as eleições decorram de forma livre e justa", afirmou Carrie Lam, em conferência de imprensa na região administrativa especial de Hong Kong.

O adiamento das eleições para o Conselho Legislativo é anunciado um dia depois de as autoridades terem vetado 12 candidatos da oposição, entre os quais o dirigente do Partido Cívico, Alvin Yeung, e o líder estudantil Joshua Wong.

Em conferência de imprensa, esta sexta-feira, Joshua Wong disse que se trata de "uma caça às bruxas" referindo-se à desqualificação das candidaturas dos membros da oposição democrática.

"Podem vetar-nos, deter-nos e meter-nos na prisão. Até podem desmarcar as eleições e criar outro parlamento fantoche. Mesmo assim, a nossa voz vai continuar a ser forte. Impedir-me de me apresentar às eleições não vai fazer cair o nosso ideal democrático", disse o líder estudantil.

Até ao momento não foi anunciada nova data para a realização das eleições para o Conselho Legislativo, mas alguns meios de comunicação avançaram que poderá ser por um ano.

O adiamento das eleições constitui um contratempo para o setor democrático de Hong Kong que esperava capitalizar a atual oposição contra o regime de Pequim.

Os 22 deputados pró-democracia ainda em funções já se mostraram contra o adiamento das eleições sob a justificação da defesa da saúde pública.

"Os legisladores pró-democracia, que representam 60% da opinião pública, coletivamente opõem-se ao adiamento das eleições, enfatizando a responsabilidade do Governo da região administrativa especial que devia adequar medidas contra a epidemia para garantir a realização das eleições, tal como estava programado", indica um comunicado dos 22 deputados.

A cidade, com 7,5 milhões de habitantes, tem vindo a ser mais afetada pela epidemia global de SARS CoV-2 desde julho, de acordo com os dados do Governo.

As autoridades sanitárias da região indicam que há atualmente 3273 casos de infeção, mais do dobro do que registaram até ao dia 1 de julho.

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