Catalunha

Independentistas catalães condenados até 13 anos de prisão

Independentistas catalães condenados até 13 anos de prisão

O Supremo Tribunal espanhol condenou, esta segunda-feira, nove líderes do movimento independentista catalão a penas que vão desde os nove aos 13 anos de prisão.

Entre os condenados pela tentativa de independência da Catalunha de 2017, está o ex-vice-presidente do Governo regional, Oriol Junqueras, punido com 13 anos de prisão por sedição e desvio de fundos públicos, delitos imputados à maioria dos arguidos. A decisão do Supremo afasta o crime de rebelião defendido pelo Ministério Público, que pedia penas de prisão maiores.

Três outros arguidos - os ex-conselheiros Santi Vila, Carles Mundó e Meritxell Borràs - foram considerados culpados pelo crime de desobediência, mas ficaram livres da prisão. O julgamento dos 12 arguidos terminou em junho, mas só hoje é que conheceram as sentenças. Os líderes catalães apresentaram-se sempre como "presos políticos" e contestaram todas as acusações.

Na sequência das condenações, o Supremo Tribunal emitiu uma ordem europeia de detenção e entrega contra o ex-presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, que se encontra na Bélgica.

A decisão era esperada com grande expectativa, principalmente na Catalunha, para onde o Governo espanhol enviou nos últimos dias centenas de agentes para garantir a segurança, temendo-se as consequências para a ordem pública da esperada condenação dos líderes políticos independentistas.

Já hoje, depois da leitura da sentença, pelo menos oito mil manifestantes (números do Governo regional) saíram para a Praça da Catalunha, no coração de Barcelona, em apoio aos separatistas condenados. Outros dois mil ter-se-ão manifestou-se em Tarragona e um pequeno grupo reuniu-se dentro do aeroporto de El Prat, onde o contigente policial está reforçado.

O ex-presidente do executivo regional, Charles Puigdemont, que continua fugido no estrangeiro e por isso não foi julgado, reagiu no Twitter às condenações, considerando-as uma "barbaridade". O separatista sublinha o facto de, no total, o tribunal ter condenado o grupo independentista a mais de 100 anos de prisão e pede "reação, como nunca antes".

Numa carta aberta, Oriol Junqueras reafirmou as suas "convicções democráticas e republicanas" e acusou o Estado de "atuar por vingança". "Hoje a independência é mais do que nunca uma necessidade para poder viver numa sociedade mais livre, mais justa e democrática", declarou o ex-vice-presidente catalão, que prometeu voltar "mais forte".

A ex-presidente do Parlamento catalão, Carme Forcadell, condenada a 11 anos e meio de prisão, declarou que "a injustiça foi consumada" e lamentou que a democracia viva "um dia sombrio". "O debate parlamentar livre não é um crime, é um direito de exercê-lo e um dever de defendê-lo. Não nos cansaremos de dizê-lo enquanto for necessário", escreveu no Twitter, apelando ainda à mobilização.